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Lojas fechadas e pedido de falência: entenda a derrocada da Tok&Stok

A Tok&Stok, maior rede de varejo de móveis e decoração do Brasil, está em crise. A empresa tem dívida estimada em R$ 600 milhões, está fechando lojas, e teve a falência pedida na Justiça por um credor. A Tok&Stok foi procurada, mas não comentou a situação.

O que aconteceu?

A Tok&Stok foi fundada em 1978 pelo casal francês Régis e Ghislaine Dubrule, então recém-chegados da França. Em 2012, os fundadores venderam 60% da empresa para o fundo norte-americano Carlyle Group, por R$ 700 milhões.

Em fevereiro deste ano, os problemas da Tok&Stok ficaram conhecidos. A Tok&Stok foi alvo de uma ação de despejo por causa do atraso no pagamento do aluguel de janeiro de um imóvel em Extrema (MG), onde tem um centro de distribuição. A empresa pagou a dívida em juízo e a ação foi encerrada.

Pouco após a ação de despejo, a rede de móveis contratou a consultoria Alvarez & Marsal. Esse grupo é especializado em reestruturação financeira (e também está envolvido no processo de recuperação judicial das Americanas).

No início de abril, a Mobly, startup de móveis e decoração, confirmou ter conversado com a Tok&Stok. Houve especulações sobre possível fusão entre as marcas. As empresas não confirmaram um acordo.

Também em abril, três executivos do alto escalão foram demitidos. A fundadora Ghislaine Dubrule assumiu o cargo de gestora executiva da Tok&Stok.

Roberto Szachnowicz, ex-presidente da Etna, assumiu o cargo de CEO na Tok&Stok. A Etna era concorrente da Tok&Stok e encerrou as operações em março de 2022.

A consultoria de tecnologia Domus Aurea pediu a falência da Tok&Stok. A companhia solicita, em juízo, R$ 3,8 milhões correspondentes a três meses de atraso no pagamento de um projeto encomendado pela rede varejista. O processo está em andamento.

Lojas fechadas

Antes de os problemas se tornarem públicos, a Tok&Stok contava 67 lojas em 21 estados e no Distrito Federal. São Paulo é o estado com maior número de lojas (21), seguido pelo Rio de Janeiro (6).

Em abril, a empresa começou a fechar lojas para reduzir custos. Duas já foram fechadas: uma no Shopping Iguatemi Bosque, em Fortaleza (CE), e outra no Shopping Praia de Belas, em Porto Alegre (RS). As informações foram obtidas a partir da central de atendimento e de lojas próximas.

Antes do fechamento, a varejista anunciou descontos de até 50% nas unidades. Clientes de diversos estados foram atraídos pela oferta e postaram nas redes sociais sobre filas em alguns dos pontos de venda da marca.

Mais oito unidades da Tok&Stok devem fechar em breve. Segundo o UOL apurou, são as lojas nos shoppings Jockey Plaza (PR), Piracicaba (SP), Vila Velha (ES), Pátio Brasil (DF), Barra Shopping (BA), Recife (PE), NorteShopping (RJ) e a loja no bairro Água Fria, em Fortaleza (CE).

Outras sete unidades, ainda não reveladas, terão suas atividades encerradas ainda neste ano. Com isso, a rede de móveis encerrará o ano com 50 unidades.

Para salvar a rede varejista, o Carlyle Group (dono da Tok&Stok desde 2012) pode fazer um aporte de R$ 100 milhões. A gestão do fundo Carlyle no Brasil é feita pela SPX Capital, que não confirmou o aporte à rede de móveis e decoração.

Procuradas pelo UOL, a Tok&Stok e a Alvarez & Marsal não se pronunciaram.

O que está acontecendo com o setor?

No início da pandemia, houve um crescimento da demanda por produtos de decoração. Empresas do setor ampliaram seus estoques e se empolgaram com o cenário. Em 2020, a Tok&Stok cogitou abrir seu capital na Bolsa, mas as condições de mercado pioraram e o plano não vingou.

O cenário durou pouco e resultou em problemas de capital de giro. As empresas estavam com os estoques cheios, mas, com o alívio na pandemia, as vendas caíram.

Com a pandemia, as pessoas também passaram a comprar mais pela internet. Isso fez com que o custo de manter lojas físicas não compensasse em algumas cidades. A TokStok começou 2023 com 67 unidades.

Essas empresas tiveram um aquecimento baseado numa coisa que não era duradoura (pandemia). Passadas essas condições, a realidade se mostrou e o setor foi prejudicado.Claudio Felisoni, presidente do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo)

A crise das Americanas agravou as condições do varejo em geral. Os problemas da gigante do setor aumentaram a desconfiança dos investidores e, consequentemente, criaram empecilhos para conseguir crédito.

"O setor vem se transformando desde a pandemia, e o futuro depende de quem conseguirá se adaptar a essa nova realidade. Nichos como pet shops e deliveries são promissores, enquanto, lojas de departamento e hipermercados devem sofrer mais", Claudio Felisoni.

UOL

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