Rosas di Maria 2
politica

Thaís Oyama: Alexandre de Moraes não quer só aplicar a lei, mas ditar a moral

A regra da neutralidade das redes vem sendo invocada para justificar a punição do Telegram pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

O argumento é correto.

A regra, incluída na Lei do Marco Civil da Internet, serve para evitar que as redes sociais, território que abriga opiniões de todos os lados, assuma um em particular —desequilibrando assim, e de forma artificial, uma discussão.

O Telegram, ao publicar uma mensagem aos usuários assumindo um lado na discussão sobre a PL das Fake News, como já havia feito o Google, desrespeitou a lei e deve ser punido

Ocorre que, no despacho em que Moraes ordena a retirada da mensagem postada pelo Telegram, multa a empresa e determina que ela coloque no lugar da mensagem suspensa um texto que ele fez questão de ditar, o fato de a empresa ter ferido a regra da neutralidade das redes é o argumento que menos aparece.

A questão, como diz o magistrado é que o Telegram tentou “induzir e instigar os usuários à (sic) coagir os parlamentares” e impactar de maneira “ilegal e imoral” a opinião pública.

Em outras palavras: o Telegram não foi punido porque, sendo uma rede social, violou a lei ao tomar partido de um assunto.

Foi punido porque, ao tomar partido desse assunto, o fez em desacordo com uma proposta apresentada ao Congresso —afirmou que a PL das Fake News promoverá a censura nas redes (afirmação que, ademais, vem sendo reproduzida livremente nas redes sem que se cogite punição para elas).

E foi punido também por “tentar impactar de maneira ILEGAL e IMORAL [maiúsculas do ministro]” a opinião pública e o voto dos parlamentares.

Deveria ser preocupante o fato de a palavra “moral” e suas variações (“imoral” e “moralmente aceitável”) aparecerem tantas vezes no despacho de Moraes, e sempre na condição de argumento.

A moral não está sujeita à lei; e a imoralidade, por condenável que seja, não é crime.

Como construções culturais, podem, inclusive, variar ao sabor do tempo e da história. Rendem boas discussões filosóficas e ajudam a animar uma conversa de bar. Mas, como argumento jurídico, não deveriam servir para calar a boca de ninguém.

Thaís Oyama - UOL

Gostou desta notícia?
Participe do nosso grupo no WhatsApp e fique por dentro de todas as novidades!
BLOG GUSTAVO NEGREIROS - 626x522.png 400x400px.gif 320 x 100px.png GUST_NEGREIROS_REFIS_626x522.gif GUST_NEGREIROS_626x522_CEARA.gif Banner_Iluminacao_400x400px.gif IRN-campanha-check-up-masculino-blog-do-gustavo-negreiros-mobile-400x400px.gif BANNERS-GN_317X264_ORATHORIA.gif BANNER_400X400_GUSTAVO.png 96 - FM - depois do post

4 comentários para "Thaís Oyama: Alexandre de Moraes não quer só aplicar a lei, mas ditar a moral"

Deixe uma resposta para essa notícia

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

/1000.


Posts relacionados

Anuncie com a gente Documento com valores para anúncio

Mais lidas

  1. 1

    Morre o cantor Netinho

  2. 2

    Procuradora compartilha fake news sobre Flávio Bolsonaro privatizar praias

  3. 3

    As pesquisas que o PL vê como decisivas para virada ou estagnação de Lula contra Flávio

  4. 4

    Bomba: O que motivou Vini Jr e Virgínia terminarem

  5. 5

    Estátua da Liberdade da Havan é pichada em Natal e Luciano Hang oferece recompensa de R$ 10 mil

360x96 Campanha facex.png