O sentimento de desconfiança na base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso é tanto que vai dificultar a ação dos governistas na CPMI dos Atos de 8 de janeiro. O clima está tão ruim que um dos líderes resume assim: “É difícil ir a uma guerra se você teme dar as costas até para os aliados”.
Com isso, apesar de a maioria na comissão ser do grupo ligado ao Planalto, a oposição conseguiu mostrar mais força na largada e impôs o ritmo para o início dos trabalhos, agora marcado para a próxima quinta, 25.
No MDB, por exemplo, que antes segurou a indicação de seus integrantes para a comissão, atendendo a uma articulação da liderança do governo, agora a dificuldade é encontrar quem queira participar. Integrantes da sigla reclamam que o PT de Lula está desarticulado e com mensagens contraditórias, pois, pedia para segurar as escolhas no Senado mas confirmava os nomes na Câmara.
A avaliação é compartilhada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que está extremamente incomodado com o Planalto. Pessoas próximas disseram que Pacheco sentiu que estava segurando sozinho a CPMI, e não queria arcar com o ônus disso.
Coluna do Estadão