As próximas duas semanas prometem ser tensas em Brasília para a área econômica. Os nervos estão à flor da pele na capital com a agenda que se acumula à medida que se aproxima o recesso parlamentar.
Tem reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre o futuro dos juros, definição do tamanho dos subsídios que serão concedidos pelo Tesouro Nacional no Plano Safra, votação do arcabouço fiscal no Senado e negociações decisivas para a apresentação do relatório final da proposta de reforma tributária. Se não entregar logo o relatório e aparar as arestas nos próximos dias, o relator na Câmara, Aguinaldo Ribeiro, será arrastado pelas resistências que crescem à proposta.
A reunião do Copom também será feita sob um ambiente de ataques renovados ao Banco Central pelo PT, que lançou nesta sexta-feira uma campanha permanente contra o que classifica de “juros abusivos” do BC.
Como apontou a coluna na quinta-feira, a estratégia era elevar a níveis “insuportáveis” a pressão sobre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Mesmo sabendo que é improvável que o Copom vá reduzir a taxa Selic na reunião dos dias 20 e 21.
Redobrar o ruído em torno do mesmo tema a essa altura, porém, é muito contraproducente. A economia brasileira pegou uma onda positiva que foi embalada durante a semana pela agência de classificação de risco S&P, que elevou para positiva a perspectiva da nota de crédito do Brasil.
Adriana Fernandes - Estadão