Embalados pelo poder conquistado na gestão de Jair Bolsonaro, líderes do Centrão querem implodir o desenho atual do primeiro escalão do governo Lula e obrigar o presidente da República a fazer uma reforma ministerial que aumente a influência dos deputados na Esplanada, reduza a participação dos senadores e, de quebra, garanta ao grupo político do comandante da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o direito de nomear o ministro de uma pasta de ponta, com capilaridade pelo país e orçamento bilionário.
“A turma está com sangue nos olhos e acha que o governo só vai se arrumar depois que desarrumar. A turma está dizendo ‘vai demitir os seus ministros, vai se recompor’”, disse a VEJA um dos parlamentares mais poderosos do país, resumindo o estado de ânimo do Centrão. Principal expoente do grupo, Arthur Lira reclamou a Lula, numa conversa por telefone na última quarta-feira, do desempenho dos chefes da Casa Civil, Rui Costa, e de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
Lira até gostaria que os dois fossem demitidos, especialmente Rui Costa, mas reconhece que isso dificilmente ocorrerá. A prioridade do Centrão é assumir o controle de uma ou mais das seguintes pastas: Saúde, a menina dos olhos dessa turma, Cidades, Integração e Agricultura. As três primeiras são importantes escoadouros de emendas parlamentares, mas, conforme queixa recorrente desse bloco parlamentar, estão colocando dificuldades para liberar recursos.
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