Democracia relativa é só para ditadores
Lula mais uma vez defende seus amigos ditadores
A leniência com que o presidente Lula trata ditadores amigos como Nicolas Maduro na Venezuela, Ortega, na Nicarágua ou o governo cubano mostra que, para ele, a democracia é, sim, relativa. Ele, que se apresentou na eleição passada como alternativa ao candidato que tentava acabar com a democracia brasileira, ele que fez uma frente ampla em defesa da democracia - que na verdade aconteceu muito mais pela decisão da sociedade brasileira do que pelo empenho do hoje presidente Lula - ao fazer isso, mostra que, para ele para o PT, a democracia não é uma prioridade.
A democracia ocidental como conhecemos, que preserva a o direito de expressão, a liberdade de pensamento, que tem poderes separados e independentes, que não censura a imprensa e não prende políticos contrários, que defende a liberdade de ir e vir. Essa democracia é o que funciona no ocidente e é o modelo que apoiamos.
Quem acha que a democracia pode ser relativizada tem um pensamento autoritário por trás. Todo ditador acha que a democracia não é um valor em si, que tem que se adaptar às circunstâncias do momento, do país, das dificuldades que pode encontrar. Esse não é um pensamento democrático, é um pensamento de quem quer esconder uma ditadura; esconder uma maneira de ver a democracia muito reduzida, muito relativa- e quem diz que a relatividade é essa, ou aquela, é quem está no poder.
E isso não é democrático, é antidemocrático. O presidente Lula, se quiser continuar representando a maioria que o elegeu para evitar uma ditadura, tem que assumir que a democracia é o único caminho para que o Brasil se desenvolva.
Merval Pereira - O Globo