O governo conseguiu aprovar na Câmara, no primeiro semestre, quase todos os projetos considerados prioritários, apesar de não ter maioria parlamentar na Casa. Dois fatores foram decisivos para o avanço de propostas como a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal.
O primeiro deles foi o empenho do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), nas articulações para garantir apoio à agenda econômica. Parlamentar mais poderoso do pais, ele foi o principal responsável por convencer a maioria dos colegas a votarem a favor dos textos.
O segundo fator foi a promessa do presidente da República de abrir espaço no governo a Lira e a seu grupo político, o Centrão. Há meses, Lula negocia a liberação de emendas parlamentares herdadas do antigo orçamento secreto e a distribuição de ministérios, estatais e bancos públicos a legendas como PP e Republicanos.
Desde o início das tratativas, o plano do presidente era postergar ao máximo a concessão de cargos de primeiro escalão ao Centrão, desde que isso não impedisse as votações na Câmara. A estratégia deu certo, e Lula até agora não entregou aquilo que foi pedido a ele.
O Centrão percebeu faz tempo a jogada. Lira adiou para o segundo semestre a votação derradeira do arcabouço fiscal. Outras propostas de interesse do Planalto, como a taxação dos super-ricos, também passarão pelo plenário da Casa. Ou seja: os deputados têm trunfos na manga, não pretendem dar mais crédito ao governo e exigem o pagamento da fatura.
As bancadas de PP e Republicanos querem seus espaços no ministério já no início de agosto. Se isso não ocorrer, ameaçam não ajudar o governo, ao contrário do que fizeram no primeiro semestre. Na Câmara, diz-se que Lula já extrapolou na enrolação. A paciência acabou em um dos lados da mesa de negociação.
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