A mordomia do uso jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) por autoridades do governo Lula não se limita aos ministros que têm criado agendas para voltar para casa e levado suas mulheres de carona em viagens pelo país, como revelou o Estadão. Comandantes das Forças Armadas também solicitam as aeronaves particulares e o benefício para suas esposas.
A Coluna teve acesso aos registros de voos, por meio dos quais aparece que Rosaly Marcella Olsen, casada com o comandante da Marinha, almirante Marcos Olsen, e Márcia Cristina Schoeller Borges Ribeiro Paiva, casada com o comandante do Exército, general Tomás Paiva, usaram voos da FAB. Os comandantes não quiseram explicar por que as mulheres usaram os voos da Força Aérea. Já a Aeronáutica nem sequer apresentou os dados solicitados via Lei de Acesso à Informação (LAI), dentro do prazo estabelecido pela legislação.
Rosaly Olsen embarcou 8 vezes com o marido nos aviões da FAB. As viagens foram realizadas de maio e julho, em trechos entre Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Ao solicitar os voos, o almirante sempre alega se tratar de viagem a serviço. Sobre a presença da esposa, limitou-se a citar o Decreto 10.267, publicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). O regulamento, de dezembro de 2021, diz que a ocupação das vagas ociosas das aeronaves fica a cargo das próprias autoridades que solicitaram o voo.
Márcia Cristina Paiva voou pela FAB no dia 11 de maio, de Brasília a Campinas (SP), cidade de origem da família, e também levou a filha, Anna Gabriella. Elas pegaram carona com o ministro da Defesa, José Múcio, que alegou agenda de trabalho para pedir seu voo. O general Paiva não respondeu as indagações da Coluna.
O luxo de viajar em voo da FAB
O uso de avião da FAB é regulamentado por um decreto presidencial. O texto prevê uma ordem de prioridade. Primeiro, em casos de emergências médicas. Segundo, quando há razões de segurança. Depois, viagens a serviço. O custo dessas viagens aos cofres públicos chega a custar R$ 70 mil. Uma viagem em voo comercial sai em média entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, considerando o preço cheio.
Quem aproveita a viagem nos jatinhos da Força Aérea tem, além da mordomia do próprio voo, não precisa enfrentar algumas chateações que ocorrem em voos de carreira como chegar com antecedência, entrar em fila, sentar em poltronas apertadas e enfrentar muitas vezes atrasos das companhias aéreas.
Coluna do Estadão