Os votos conservadores proferidos pelo ministro Cristiano Zanin no Supremo Tribunal Federal (STF), em seu mês de estreia, impactaram diretamente na pressão que o presidente Lula sofre em relação à escolha para a próxima vaga na Corte. O ex-advogado pessoal do presidente foi o único a se posicionar contra a descriminalização das drogas para consumo pessoal, e rejeitou equiparar homofobia ao crime de injúria racial. Agora, representantes da esquerda dizem que “Lula não pode cometer o mesmo erro” e precisa escolher um ministro de viés progressista.
A mensagem é lida como um manifesto contrário à eventual indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. Ele é evangélico e destoa da demanda esquerdista por uma mulher comprometida com as causas progressistas. Interlocutores de Lula ouvidos sob reserva pela Coluna, no entanto, acreditam que nada mudou até o momento, e o presidente mantém sua preferência por Messias.
Messias é garantista, da confiança de Lula e de petistas com poder de influência junto ao presidente. Além disso, a indicação, observam interlocutores do Palácio do Planalto, seria uma forma de redimir os danos à imagem do ministro com o episódio do “Bessias”, como ele ficou conhecido nas redes sociais.
O episódio se deu em 2016, após a Operação Lava Jato vazar um um telefonema em que a então presidente Dilma Rousseff disse a Lula que o “Bessias” - ela estava resfriada e com a voz anasalada - levaria a ele o documento de posse como ministro da Casa Civil. À época, o ministro era subchefe para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Presidência.
Messias tem sido leal a Lula e aceitou representá-lo na Marcha para Jesus deste ano em São Paulo, mesmo sabendo que seria alvo de vaias do público presente, como aconteceu.
Coluna do Estadão