O presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin travaram uma espécie de guerra fria na arrastada negociação para a entrada do Centrão no governo, que ainda não foi concluída. Diante das dificuldades para abrir espaço ao PP e ao Republicanos na Esplanada, assessores presidenciais sugeriram ao chefe que tirasse Alckmin do comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e usasse a pasta para acomodar os novos aliados.
Numa tentativa de fortalecer a ideia, eles espalharam duas histórias em Brasília. A primeira é que o PSB, partido de Alckmin, está à frente de três ministérios apesar de ter apenas 15 deputados federais, o que seria desproporcional. A legenda teria muito espaço para pouco voto. A segunda é que Alckmin, por ser vice, não perderia protagonismo na atual administração. No Palácio do Planalto havia a expectativa de que ele se sensibilizasse, procurasse Lula e aceitasse a substituição. Não foi o que aconteceu.
Em reação, os socialistas recorreram à mesma estratégia e passaram a disseminar a versão de que resistiram à perda de ministérios e que o vice não aceitaria ser sacrificado em benefício do Centrão. Articuladores políticos de Lula chegaram a sugerir ao presidente que conversasse pessoalmente com Alckmin sobre o assunto, mas isso não ocorreu.
Houve, então, uma nova proposta: o remanejamento de Alckmin para o Ministério da Defesa, no lugar de José Múcio Monteiro. Também não deu certo. Lula não gostou da ideia, entre outros motivos, porque não quis correr o risco de criar um canal de interlocução privilegiado entre seu vice e as Forças Armadas, cujos quadros resistem ao PT e não nutrem simpatia pelo presidente.
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