Indivíduos que já foram vítimas ou conhecem alguma vítima de pirâmides financeiras são propensos a investir em esquemas irregulares que indivíduos que não foram vítimas e não conhecem quem já foi vítima desse tipo de esquema. Esse é um dos principais resultados de uma pesquisa realizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), divulgada hoje (11).
A pesquisa buscou entender a tomada de decisão de investidores em investimentos irregulares e analisar o efeito da percepção de risco na tomada de decisão por investir em pirâmides. Ou seja, quando um investimento fraudulento envolve o pagamento de retorno aos investidores antigos a partir de fundos de novos investidores.
Essas mesmas vítimas também demonstraram maior inclinação a convidar novos investidores a participarem destes esquemas fraudulentos, percebidos como de alto risco.
O trabalho foi desenvolvido em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ao todo, foram ouvidos 1.377 pessoas. Dentre os respondentes, a maioria informou possuir pós-graduação completa. O segundo grupo mais representado é de indivíduos com pelo menos nível superior completo.
O estudo testou 12 hipóteses de investimentos fictícios e os participantes responderam sobre a propensão a investir na oportunidade apresentada.
Dois dos investimentos apresentados possuíam algumas características de pirâmides financeiras com o objetivo de observar se os participantes alocados nessa manipulação teriam comportamento diferente daqueles direcionados a investimento sem essa característica.
Outro ponto revelado é sóbre os riscos. Risco é um fator relevante no que tange a investimentos, pois espera-se uma correlação positiva com o retorno. Mas o estudo mostra que risco é apenas responsável por uma mudança no comportamento das manipulações de investimento regular, mas não é responsável pela mudança no comportamento de investimentos irregulares.
Para o inspetor Philip Silberman, da Gerência de Educação e Inclusão Financeira da CVM, a propensão a aceitar esquemas fraudulentos também pode estar relacionada à falta de conhecimento do funcionamento do mercado financeiro, bem como de parâmetros econômicos básicos. “Este desconhecimento torna o investidor propenso a acreditar em retornos irreais uma vez que lhe faltam ferramentas de comparação que ajudem seu julgamento. A solução de tal situação apenas pode ser atingida com a educação financeira maciça da população”, destaca Silberman.
Valor Investe