Minha solidariedade aos moradores do Villa Imperial, na Faixa de Gaza, localizado no subúrbio do Porto Brasil. É inverídico que eles não tenham condições financeiras, comem pouco e não possuem carros elétricos ou híbridos.
Hoje fui procurado por uma moradora, ela falou a marca dos móveis dela (Mula Preta), que gastou mais do dobro do valor do imóvel na decoração e não admitia que eu chamasse o muquifo de "muquifo". Perguntou se eu conhecia vinho de uma tal de Angélica Zapatta e que só comia "Jamon maturado de 36 meses". Disse que marido tinha um Volvo e ela um GWM.
Tudo ótimo, mas vamos ter calma! Por melhor e mais luxuoso que seja um apartamento na Faixa de Gaza, nunca vai ser igual aos vizinhos do Porto Brasil. Existe uma diferença gigante, não poder entrar com o carro, ter que atravessar aquele corredor iluminado à noite, é um abismo social sem tamanho. Não adianta a piscina, não adianta sonhar com uma academia nova, não adianta colocar carne da churrasqueira ou contratar a banda internacional Bandigalado. Uma vez na Faixa de Gaza nunca vai chegar no Porto Brasil.
Porém, existe algo maravilhoso naquele subúrbio que é de igual para igual com os vizinhos ricos do Porto Brasil, o grupo das Saradas. Sim, existe esse grupo, com Personal da BT contratado. Todos os dias elas treinam na praia e postam as fotos. O única diferença é que a turma do Porto vai de Beat Co e as do Villa Imperial só vestem moda Alecrim importado da China.