Estamos chegando no fatídico dia 30 de janeiro. É hora dos inquilinos saírem do Villa Imperial, localizado na periferia do Porto Brasil, depois da Faixa de Gaza.
Tem os proprietários que alugam muquifos no Porto Brasil, gente que precisa do dinheiro do aluguel para comer durante o ano. E tem aqueles que estão dispostos a pagar valores exorbitantes para ter o privilégio de conviver com a turma endinheirada do Porto Brasil, aqueles que ficam antes da Faixa de Gaza.
Vamos ter choro, colchões rasgados expostos, botijões de gás, geladeiras com ferrugem nas mudanças que acontecerão na segunda e terça-feira. Promessas de juntar dinheiro o ano todo, economizar nas refeições para ter condições de voltar no próximo ano.
Agora, os proprietários do Villa Imperial vão aproveitar o imóvel por uma semana e alugar novamente para o carnaval, outra oportunidade de apurar um dinheirinho. O proprietário de um Villa Imperial é menos deslumbrado comparado a um inquilino.
Uma amiga do Porto Brasil muito maldosa disse que as proprietárias do Villa Imperial fazem as compras na 25 de Março, as inquilinas no Alecrim. Gostam de cores chamativas, extravagantes e exibidas. Não acredito nessa informação.
Esse ano tivemos recorde de falsificações de copos Stanley no condomínio, beberam muito Campari dando a entender que aquele purgante é gostoso. Juraram que fraldinha é mais gostoso que picanha. Tivemos uma variedade de mais de 15 tipos de amendoim. Sem falar o congestionamento de Compass, todos desvalorizados e com pelo menos duas prestações em atraso. A comunidade do Villa Imperial sonhando que algum banco conceda crédito para comprar um GWM ou quem sabe um Volvo. É hora de queimar menos carbono.
Muita gente que veraneou no Villa Imperial passou dificuldade por causa das blitzen, tiveram que pagar o IPVA em atraso e isso mexeu significativamente na hora de exibição na piscina, faltou grana. Mas tem o próximo ano, chega rápido. Quem salva nosso janeiro é a comunidade do Villa Imperial.