O ex-presidente Jair Bolsonaro participa neste domingo, 25, de uma manifestação na Avenida Paulista em que busca mostrar apoio popular em meio às investigações contra ele. VEJA acompanha ao vivo o ato com análise de colunistas.
Bolsonaro subiu ao palanque principal da manifestação por volta de 15h. Diversos aliados do ex-capitão também marcaram presença, como os governadores Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Em declaração a VEJA, Tarcísio afirmou: “Eu confio muito no Bolsonaro e a gente está aqui para dizer: ‘Estamos com ele'”. Já Nunes chamou a manifestação de “um ato de democracia”.
Seguindo a recomendação do ex-presidente, os apoiadores evitaram levar cartazes com ataques ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes. Por outro lado, um dos filhos do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro, classificou o inquérito que mira Bolsonaro como “um grande teatro” e criticou a atuação do magistrado. “Ele faz tudo: ele investiga, ele determina as diligências, ele vai julgar e ele já vai condenar. É triste isso, é um grande sintoma de que a democracia não está saudável no Brasil hoje”, disse Flávio a VEJA. O pastor Silas Malafaia, um dos organizadores do evento, também criticou por diversas vezes Moraes em seu discurso na manifestação.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro fez um dos primeiros discursos do ato. Vista pelo PL como uma força política para futuras eleições, Michelle se emocionou durante sua fala e proferiu um discurso de tom religioso.
‘Tudo ou nada’ de Bolsonaro
Alvo de diversas investigações, principalmente sobre a tentativa de golpe, Jair Bolsonaro vai partir para o ‘tudo ou nada’ com uma arriscada manifestação com aliados em São Paulo, neste domingo, 25. O site de VEJA transmite o ato nos canais digitais do site, com apresentação de Marcela Rahal e análises do editor Ricardo Ferraz e do colunista Robson Bonin, de Radar. Diretamente do evento, a reportagem de VEJA vai trazer a repercussão de um movimento que pode se tornar decisivo para o futuro político do ex-presidente.
Conforme mostra capa de VEJA desta semana, Bolsonaro promete usar a manifestação para se defender sem agredir autoridades e instituições. Se a aposta der certo, mostrará força política e apoio popular – mas as chances de o roteiro desandar são consideráveis. No depoimento à PF sobre a trama golpista, nesta quinta-feira, o capitão nada respondeu ‘por não ter acesso aos autos’, segundo a defesa. Outros militares também silenciaram. Já Valdemar Costa Neto e Anderson Torres responderam aos questionamentos.
As expectativas de Bolsonaro para a manifestação
Bolsonaro sabe que mesmo uma manifestação bem-sucedida tem poucas chances de mudar os humores do STF, mas aposta todas as suas fichas em ter uma foto da Avenida Paulista lotada, de forma a demonstrar sua capacidade de mobilização. Organizadores do evento, como o pastor Silas Malafaia, falavam em, no mínimo, 300 000 pessoas. Outra utilidade do evento para Bolsonaro é exibir força política. A manifestação pode reunir pela primeira vez no mesmo palanque alguns dos mais relevantes expoentes da direita no país. Além do enorme séquito de deputados e senadores do PL, o partido do ex-presidente, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ato também deverá ter governadores, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, e Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina. Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, é também esperado, mas não havia confirmado presença até a última quinta, 22.
De forma a não criar novos enroscos na Justiça, Bolsonaro promete não ser Bolsonaro. Em diversos vídeos em que conclama apoiadores, o ex-presidente deixou claro que o mote do dia será a defesa dos valores da direita, como a liberdade e a família, e da democracia, além, é claro, da denúncia ao que classifica de “perseguição judicial” e “violação de prerrogativas” das quais é alvo. Bolsonaro também instruiu os admiradores a não levarem faixas nem cartazes contra instituições como o Supremo e a Polícia Federal. Até a preocupação com a lisura de doações acendeu o alerta do capitão, que foi às redes proibir que sejam feitas rifas em seu nome para o custeio de transporte e compra de itens como bandeiras e tinta.
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