O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não chegou a cogitar a saída de Jean Paul Prates do cargo de presidente da Petrobras. "Para mim, não. Absolutamente não, de forma alguma. Volto a dizer: é prerrogativa do presidente da República. Seria no mínimo arrogante por parte do ministro de Minas e Energia falar com alguém que tem tanta profundidade com relação a esse tema como o presidente Lula".
Em entrevista coletiva nesta terça, Silveira afirmou que a presidência da "Petrobras é um cargo do presidente da República". Segundo ele, todo o ruído dos últimos dias sobre a saída de Prates "foram todas especulações".
Após expor divergências com o presidente da Petrobras, em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” na semana passada, o ministro adotou um tom mais ameno nas críticas ao executivo da companhia.
"Meu colega de Senado da República e hoje presidente da maior empresa do país, que é a Petrobras, empresa tão importante para o desenvolvimento nacional (.) Tenho o mais profundo respeito e admiração pelo trabalho que desenvolveu como parlamentar o presidente Jean Paul, tenho carinho e profundo respeito pela pessoa que ele é", afirmou o ministro, em entrevista concedida no Palácio do Planalto.
Silveira justificou o porque das declarações duras dirigidas à diretoria da Petrobras. "Então, não cabe ao ministro de Estado de Minas e Energia [decidir sobre a permanência de o presidente da companhia]. Cabe a mim sim a defesa intransigente das políticas públicas e da visão estratégica que norteou os eleitores brasileiros, o povo brasileiro", afirmou.
O ministro espera que, a partir de agora, "a Petrobras tenha um pouco de paz para poder continuar ganhando valor de mercado ao mesmo tempo aumentando seu potencial para poder gerar emprego, renda, cumprir o plano de investimento".
DIVIDENDOS
Silveira negou que se reuniu com os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda) para combinar como seria a distribuição de dividendos extraordinários da Petrobras. "O que aconteceu, na verdade foi um diálogo", justificou. Acrescentou que "é natural" que haja um "debate permanente" entre os ministros sobre questões econômicas de curto, médio e prazo.
"Isso [dividendos] não poderia ser discutido no âmbito de três ministros de Estado", reforçou Silveira a jornalistas, no Palácio do Planalto.
O ministro de Minas e Energia explicou que os dividendos ordinários são os que "norteiam os investidores e estão pré-estabelecidos e foram pagos pela Petrobras". Segundo ele, os repasses foram acima dos 25% estabelecidos pela Lei das SAs. Por outro lado, ele considera que os dividendos extraordinários precisam ser melhor discutidos e, eventualmente, colocados numa conta de reserva "quando não estão muito claros os desdobramentos".
Valor Econômico