O anúncio de petróleo encontrado em águas ultraprofundas feito nesta semana pela Petrobras animou o setor produtivo do Rio Grande do Norte, que aponta a possibilidade de geração de emprego e renda com a exploração petrolífera num futuro a médio e longo prazo, além de efeitos positivos na arrecadação de ICMS. Encontrado na Bacia Potiguar, que integra a Margem Equatorial Brasileira, a perspectiva é de que a exploração em toda essa região marítima, que se estende do RN ao Amapá, gere cerca de R$ 65 bilhões, sendo R$ 10,8 bilhões só na parte potiguar.
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, classificou a descoberta da Petrobras como “uma excelente notícia para o RN” e lembrou que o setor petrolífero tem papel de impacto na economia potiguar, sendo o que vem obtendo maior variação positiva nos últimos 12 meses, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM).
“Historicamente, o petróleo já é um dos principais ativos do Rio Grande do Norte. Durante décadas fomos o primeiro lugar em produção de petróleo em terra e claro que um potencial desses trará sim, emprego e renda, além de um efeito muito significativo na arrecadação de ICMS e nos royalties”, disse Serquiz.
Mesma posição tem o especialista e analista técnico do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Robson Matos. Ele explica que enquanto outros estados com potencial de exploração na margem equatorial possuem problemas e entraves no processo de liberação de licenças, o RN está um passo à frente com descobertas como esta, tornando-se mais fácil “ser uma realidade” a exploração.
“Já possuímos grande expertise no processo de produção terrestre e águas rasas, temos uma rede qualificada de fornecedores e aliado a isso, temos a Petrobras que domina a tecnologia em águas profundas e ultraprofundas, tem ampla expertise e capacidade de produção nesse contexto”, destacou. Ele diz ainda que, se o potencial das descobertas se concretizar em produção, coloca o estado do RN literalmente em outro patamar. “As projeções poderão repercutir positivamente numa grande geração de empregos, renda e divisas para o estado”, frisou.
No Governo do Estado, a descoberta de petróleo na bacia potiguar também foi comemorada. O secretário de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec), Sílvio Torquato, enfatizou que a Petrobras já iniciou a perfuração de poços na bacia equatorial. “Agora, com essa nova descoberta, as perspectivas para o Rio Grande do Norte são muito promissoras, tanto nas energias renováveis quanto na área do petróleo. Essa descoberta é algo muito bom. Num futuro pode gerar muitos empregos e negócios infinitos no Estado”, acrescentou.
A descoberta que está sendo comemorara trata-se de uma acumulação de petróleo em águas ultraprofundas da Bacia Potiguar, no poço exploratório Anhangá, da Concessão POT-M-762_R15. O poço 1-BRSA-1390-RNS (Anhangá) está situado próximo à fronteira entre os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, a cerca de 190 km de Fortaleza e 250 km de Natal, em profundidade d’água de 2.196 metros, na Margem Equatorial brasileira.
Esta é a segunda descoberta na Bacia Potiguar em 2024 e foi precedida pela comprovação da presença de hidrocarboneto no Poço Pitu Oeste, localizado na Concessão BM-POT-17, a cerca de 24 km de Anhangá. Tais descobertas ainda merecem avaliações complementares. A Petrobras é a operadora de ambas as concessões e detém 100% de participação.
Tribuna do Norte