Os clubes brasileiros de futebol somaram R$ 8,9 bilhões em dívidas em 2023, o menor volume registrado desde a temporada de 2011, quando foram contabilizados R$ 7,7 milhões em débitos pelos times, de acordo com um levantamento da Sports Value.
Liderando a lista de clubes mais endividados encontram-se Atlético Mineiro (R$ 1,3 bilhão), Palmeiras (R$ 942,6 milhões), Internacional (R$ 899,0 milhões), Corinthians (R$ 885,8) e Vasco da Gama (R$ 749,3 milhões).
Contudo, o título de clube mais endividado do país ainda pode ser retirado do Atlético Mineiro pelo Corinthians, caso a dívida do clube contabilize os débitos com relação ao pagamento da Neo Química Arena.
A Sports Value levou em conta as demonstrações contábeis públicas dos 20 clubes com maiores receitas do Brasil em 2023. O Corinthians, por sua vez, não considerou os débitos em relação ao pagamento de seu estádio em seu balanço anual.
Caso as dívidas em relação à Neo Química Arena fossem contabilizadas, o alvinegro tomaria a primeira posição, com R$ 1,6 bilhão de endividamento.
Ao contrário do Corinthians, o Palmeiras considerou os gastos com as dívidas de seu estádio em seu balanço anual, que conta com débito de R$ 942,6 milhões. Caso o Allianz Parque fosse descontado, as dívidas seriam de R$ 537 milhões.
RECEITAS
Além da melhora no nível geral de dívidas dos clubes brasileiros, os times também atingiram a maior receita conjunta da história em 2023, chegando a R$ 9 bi — um aumento de 20% em comparação com 2022 . Considerando o impacto da inflação, o crescimento real foi de 12%.
Vale destacar que o Cruzeiro não foi considerado nestes valores, uma vez que o time não publicou seu balanço até a produção do levantamento. Dessa forma, não se sabe o tamanho da dívida do clube e o impacto que ela teria no cálculo total dos 20 clubes da lista.
De acordo com a Sports Value, o aumento na arrecadação com transferências foi responsável pela melhora nas receitas, bem como um aumento de pagamento com patrocínios e matchday (valores de sócio torcedor + bilheteria).
Os valores gerados por transferências de jogadores foram 25% maiores do que em 2022, chegando a R$ 1,9 bilhão. Já as receitas de marketing cresceram 22% (R$ 1,4 bi) e as bilheterias de estádio tiveram alta de 33% (quase R$ 900 milhões). As receitas com direitos de televisão cresceram 8% em 2023, passando dos R$ 3,2 bilhões.
DESTAQUES DO FLAMENGO
O Flamengo, clube com a maior torcida do Brasil e que registrou a maior receita dentre os times analisados em 2023, atingiu faturamento de quase R$ 1,4 bi, em 2023, com um crescimento de 17% em relação ao ano anterior.
As transferências tiveram forte impacto na geração de caixa, com receita de R$ 303 milhões. O clube segue com uma ascensão no marketing e matchday. O Flamengo fechou com alto superávit novamente, de R$ 320 milhões, e as dívidas estão no menor patamar, em R$ 68 milhões.
DESTAQUES DO CORINTHIANS
O Corinthians atingiu a maior receita de sua história em 2023, de R$ 937 milhões, registrando um crescimento de 20%. Os números foram muito impactado pelos R$ 251 milhões em transferências.
O clube fechou 2023 com um superávit de R$ 1 milhão, mas registrou dívidas de R$ 886 milhões, que podem chegar a R$ 1,6 bi caso os débitos em relação à Neo Química Arena sejam contabilizados.
DESTAQUES DO PALMEIRAS
O Palmeiras atingiu receitas de R$ 909 milhões em 2023, uma alta de 6% frente a 2022.O clube fechou o ano com superávit de R$ 8,5 milhões, enquanto as dívidas somam em R$ 943 milhões.
DESTAQUES DO SÃO PAULO
O São Paulo gerou receitas de R$ 681 milhões, um crescimento de 3% em relação à 2022. Apesar da conquista da Copa do Brasil — campeonato com maior prêmio para os clubes brasileiros —, o clube fechou 2023 com déficit de R$ -62 milhões e as dívidas subiram 14%, chegando a R$ 667 milhões.
DESTAQUES DO ATHLETICO PARANAENSE
O Athletico Paranense, em termos de balanço, foi destaque dentre os clubes brasileiros, atingindo o maior superávit em 2023, de R$ 383,3 milhões, e uma dívida líquida de R$ 0.
O clube atingiu receita recorde de R$ 511 milhões, um aumento de 38% em relação à 2022, muito impactado pela arrecadação de R$ 241 milhões em transferências. Sem o impacto das transferências, a evolução foi de 0,3%.
Valor Econômico