A saída de Jean Paul Prates do comando da Petrobras já estava definida há semanas. Restava saber somente qual seria o “dia D”, que marcaria enfim sua demissão. A decisão de Lula de sacar o petista da presidência da maior empresa do país havia sido confirmada a ministros próximos há alguns dias, mas a troca foi mantida sob sigilo.
Ministros diretamente envolvidos no tema, Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), por exemplo, já haviam sido avisados de que a troca ocorreria em breve.
Rui Costa, inclusive, participou das tratativas para levar Magda Chambriard ao posto. Se a fritura de Prates foi pública e com alarido, as conversas para sua substituição foram conduzidas com enorme discrição.
Como Prates, a ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi convocada a Brasília e reuniu-se com Lula.
Chambriard, próxima de Dilma Roussef, tem boa relação com diversos nomes do primeiro escalão do governo e sua chegada deve marcar a chegada de uma visão mais “nacionalista” na estatal.
Ministros palacianos não escondiam que a saída de Prates era questão de tempo. Mesmo com a demora de Lula em tomar a decisão final, a percepção era que ele não chegaria à metade do ano, segundo relato de um auxiliar de Lula.
Como mostrou o GLOBO, numa última cartada para tentar se manter no cargo, Prates tentou convencer o governo a abraçar a ideia de lançar um “PAC do Mar”. As apresentações feitas, no entanto, foram recebidas com ceticismo pela Casa Civil e pelo MME.
A demissão ocorreu pouco mais de um mês após Prates entrar em rota de colisão com uma ala do governo na crise dos dividendos, a respeito do valor dos ganhos que seria distribuído aos acionistas. E um dia após a petroleira divulgar o resultado do primeiro trimestre, quando o lucro caiu 38%.
Prates defendia a proposta da diretoria de distribuir aos acionistas 50% dos recursos que sobraram no caixa após o pagamento dos dividendos regulares — R$ 43,9 bilhões.
Já o grupo de Silveira e Costa defendia segurar todo o dinheiro em um fundo de reserva para melhorar as condições da empresa de obter empréstimos para investimentos. Lula arbitrou a disputa e determinou que os conselheiros indicados pela União votassem contra o pagamento. Depois, a Petrobras acabou aprovando o pagamento com aval de Lula.
Renata Agostini - O Globo