Com duas mortes e 19 casos confirmados, o Rio Grande do Sul estima que o número de pessoas com leptospirose em decorrência das enchentes deve chegar a 1 mil até o fim da calamidade. O estado, que vive debaixo d’água há três semanas, teme risco de aumento de doenças infecciosas e contagiosas e monitora quadros de tétano, hepatite A, ataques peçonhentos, diarreia, sarna, piolho e síndromes respiratórias como gripe e Covid-19. O cenário deve piorar com a redução do nível das águas.
Maior preocupação de autoridades gaúchas no momento, a leptospirose é transmitida pelo contato direto ou indireto com a urina de animais com a bactéria Leptospira, muito presente entre ratos. As duas primeiras mortes, que acenderam o alerta no estado, foram registradas na última sexta-feira pelas secretarias de Saúde dos municípios de Travesseiro e Venâncio Aires, e o amplo contato com a lama e a água aumenta a exposição da população à doença.
— Nossa estimativa com br na experiência do ano passado (durante as enchentes de setembro) nos municípios afetados é de 1 mil casos confirmados de leptospirose durante a calamidade. O número deve ser maior porque nem todos chegam ao sistema de saúde — afirma Tani Ranieri, diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do estado, que aponta ainda para 15% dos casos com demanda de internação.
Esse foi o caso de Eldo Gross, de 67 anos, a primeira vítima da doença. Ele deu entrada em hospital de Marques de Souza na terça-feira de semana passada, de onde foi transferido para uma unidade com internação. A morte foi confirmada sexta. Para evitar novas contaminações e mortes, Tani explica que a recomendação é que a população use botas de cano alto, calças, use luvas ou outras formas de proteção ao fazer limpeza e não levar as mãos à boca e aos olhos.
O Globo