Rosas di Maria 2
politica

Editorial Folha de São Paulo: Governo gera descrença nas próprias previsões

Governo gera descrença nas próprias previsões

COMO EM 2023, GESTÃO PETISTA VAI ELEVANDO SUA ESTIMATIVA PARA O DÉFICIT FISCAL, MAS ANALISTAS AINDA PROJETAM MUITO MAIS

Os danos infligidos pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à política econômica não se limitam ao ímpeto gastador e ao abandono precoce das metas de equilíbrio fiscal. Como se tudo isso não fosse o bastante, o Executivo semeia o descrédito nas próprias projeções orçamentárias.

É o que se vê com o relatório bimestral destinado a reavaliar as receitas e despesas esperadas no ano. Trata-se de procedimento exigido por lei que, além de proporcionar maior transparência na gestão das contas, pode servir para orientar as expectativas dos mercados que formam preços cruciais, como as taxas de juros e de câmbio.

Isso, claro, se os dados ali contidos forem levados a sério —mas essa não parece ser uma preocupação na administração petista.

Em seu primeiro relatório, estimou-se um déficit primário (ou seja, sem contar os gastos com juros) de R$ 107,6 bilhões em 2023. Essa seria uma boa notícia na comparação com R$ 228,1 bilhões previstos no Orçamento do exercício. Na época, o número foi usado para pressionar o Banco Central a acelerar os cortes de juros.

Já eram visíveis, então, prováveis inconsistências nas cifras, e o benefício da dúvida foi se dissipando com o passar dos meses.

A projeção de déficit subiria nos relatórios seguintes, e o resultado final foi um rombo de astronômicos R$ 264,5 bilhões —inflados, é verdade, pelo pagamento de R$ 92 bilhões em precatórios represados por Jair Bolsonaro (PL), mas em qualquer cálculo incompatíveis com a promessa inicial.

Neste 2024, para o qual o governo fixou a meta de equilibrar receitas e despesas, o primeiro relatório de avaliação, publicado em março, previu saldo negativo de R$ 9,3 bilhões. Num roteiro previsível, o número acaba de subir para R$ 14,5 bilhões —fora R$ 13 bilhões em gastos extraordinários com a tragédia gaúcha, corretamente excluídos da meta.

Se tais estimativas merecessem alguma confiança, haveria hoje um ambiente muito mais favorável à queda da inflação e dos juros. Mas, desde antes do desastre climático no Rio Grande do Sul, as projeções independentes mais consensuais apontam para um déficit mais perto de R$ 80 bilhões neste ano.

Nada na conduta do governo indica alguma disposição adicional em conter despesas em busca de um resultado melhor. Ao contrário, um bloqueio preventivo de R$ 2,9 bilhões, irrisório para as dimensões do Orçamento, foi revertido.

Expectativas econômicas decerto são voláteis e falhas, mas não se pode subestimar seu peso nas decisões de investimento que afetam o bem-estar social. Um governo que não leva a sério os próprios números só alimenta incertezas.

Editorial Folha de São Paulo

Gostou desta notícia?
Participe do nosso grupo no WhatsApp e fique por dentro de todas as novidades!
BLOG GUSTAVO NEGREIROS - 626x522.png 400x400px.gif 320 x 100px.png GUST_NEGREIROS_REFIS_626x522.gif GUST_NEGREIROS_626x522_CEARA.gif Banner_Iluminacao_400x400px.gif IRN-campanha-check-up-masculino-blog-do-gustavo-negreiros-mobile-400x400px.gif BANNERS-GN_317X264_ORATHORIA.gif BANNER_400X400_GUSTAVO.png 96 - FM - depois do post

0 comentários para "Editorial Folha de São Paulo: Governo gera descrença nas próprias previsões"

Deixe uma resposta para essa notícia

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

/1000.


Posts relacionados

Anuncie com a gente Documento com valores para anúncio

Mais lidas

  1. 1

    Morre o cantor Netinho

  2. 2

    Procuradora compartilha fake news sobre Flávio Bolsonaro privatizar praias

  3. 3

    Bomba: O que motivou Vini Jr e Virgínia terminarem

  4. 4

    As pesquisas que o PL vê como decisivas para virada ou estagnação de Lula contra Flávio

  5. 5

    Estátua da Liberdade da Havan é pichada em Natal e Luciano Hang oferece recompensa de R$ 10 mil

360x96 Campanha facex.png