O governo vai anunciar às 15h o adiamento, para todo o país, do CNU, o Concurso Nacional Unificado, batizado popularmente de “Enem dos Concursos”.
A decisão dividiu o grupo de ministros diretamente envolvidos no debate, e ainda está passando pelos últimos ajustes em uma série de reuniões.
Havia muita dúvida quanto à viabilidade técnica de se adiar a realização das provas apenas para o Rio Grande do Sul, devastado por chuvas que mataram pelo menos 37 pessoas, deixaram mais de 77 desaparecidos e milhares de desabrigados.
Isso porque, diferentemente do Enem, não existe um banco de provas disponível para o CNU, que será realizado pela primeira vez. Com isso, o risco de se realizar posteriormente provas de grau de dificuldade diferente da original para os inscritos no Rio Grande do Sul era alta, o que aumentaria o já elevado risco de judicialização.
Também houve argumentos de ordem humanitária e política a favor do adiamento: Lula esteve no Estado há apenas um dia; a realização do concurso poderia denotar falta de sensibilidade por parte do governo federal.
Por fim, o alerta do risco de a intempérie atingir fortemente também Santa Catarina acabou por dirimir as últimas dúvidas.
Um dos que sempre advogaram pelo adiamento para todo o Brasil foi o ministro Paulo Pimenta (Secom), que é gaúcho, mas o colegiado, composto ainda pelo titular da AGU, Jorge Messias, pelo chefe da Casa Civil, Rui Costa, e pela ministra da Gestão, Esther Dweck, cuja pasta é a responsável pela realização do CNU, estava dividido quanto a adiar só para o Rio Grande do Sul ou em todo o território nacional.
Além dessas questões, um fator apontado como complexo era o custo da prova e a possibilidade de prejuízo estimado em R$ 50 milhões.
Ainda não há definição quanto à nova data da prova, caso o adiamento seja confirmado logo mais.
Vera Magalhães - O Globo