As relações empresariais e comerciais do ex-jogador Ronaldo Nazário, o Fenômeno, são empecilhos para o projeto dele de se candidatar à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no próximo ano. O problema são conflitos de interesse vetados pelo estatuto da entidade. Além de ainda manter vínculos negociais e jurídicos com o Cruzeiro até 2035, ele é sócio do jogador Gabriel Jesus e dono de empresas que assessoram outras dezenas de atletas.
A notícia é do Metropoles. Apesar de ter declarado que venderia o Real Valladolid, da Espanha, para evitar possíveis conflitos e se enquadrar nas regras do estatuto da CBF, a situação no Brasil também coloca Ronaldo numa posição de descumprimento de artigos do Código de Ética da entidade. O Fenômeno está empresarialmente ligado a jogadores que disputam vagas na Seleção Brasileira, por exemplo.
Ele e Gabriel Jesus, hoje jogador do Arsenal, da Inglaterra, são sócios na Galáticos Capital, empresa que se apresenta como “um multifamily office focado na gestão patrimonial e financeira de astros do esporte e do entretenimento”. De 29 clientes da companhia informados no site, 26 são jogadores de futebol – todos brasileiros e que estão na ativa, atuando no Brasil ou no exterior.
Entre eles, estão, por exemplo, o goleiro Cássio Ramos, do Cruzeiro; o atacante Hernane Brocador, que passou por vários clubes brasileiros, inclusive o Flamengo; o goleiro Léo Jardim, do Vasco da Gama; e o lateral Dodô, do Fiorentina (Itália), recentemente convocado para a Seleção pelo técnico Dorival Júnior.
Holdings de Ronaldo e Gabriel Jesus
A Galáticos é resultado da união da R9 Investimentos com a Galapagos Capital. A sociedade entre Ronaldo e Gabriel surge da relação empresarial entre as holdings de ambos: a RDNL Participações Ltda. e a GJ Sports e Marketing Ltda. Elas dividem a sociedade da R9 Family Office Assessoria a Atletas Profissionais Ltda. com unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo.
A criação das holdings dos dois jogadores possui um elemento em comum: Ronaldo e Gabriel colocaram as respectivas mães, Sônia Barata Nazário de Lima e Vera Lúcia Diniz de Jesus, como sócias-administradoras. Holding é uma empresa criada para centralizar o controle de outras empresas. Ou seja, por meio dela, uma pessoa detém a posse de ações de outras companhias.