Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) veem dois caminhos para Lula fazer sua indicação à vaga de Luís Roberto Barroso, que anunciou na quinta-feira (9) a antecipação de sua aposentadoria.
Um deles seria o critério da confiança, utilizado pelo presidente para nomear os dois ministros que indicou ao STF em seu terceiro mandato. Foi esse o fator decisivo tanto para a escolha de Cristiano Zanin, que foi advogado do petista na Lava-Jato, quanto para Flávio Dino, que foi ministro da Justiça em seu governo.
Se seguir por essa linha, magistrados não têm dúvidas de que Lula indicará o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a cadeira de Barroso. Ligado ao PT, Messias é quem tem maior apoio dentro do partido.
Ministros do STF pontuam, no entanto, que desta vez o presidente pode colocar o critério político e de governabilidade como prioridade, especialmente por estar próximo de um ano eleitoral.
Se isso ocorrer, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) levaria vantagem. Apoiado pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), a escolha de Pacheco poderia ajudar Lula a consolidar votações importantes no Senado para seu governo. Além disso, já chegou ao STF a informação de que o Senado pretende aumentar a pressão sobre o presidente para que Pacheco seja o indicado.
O senador também tem apoiadores dentro do STF, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. A avaliação de integrantes do governo Lula é que, mesmo diante das pressões, o presidente fará a escolha sozinho, priorizando o critério que considerar mais relevante no momento.
Lula demorou cerca de três meses para bater o martelo sobre a indicação de Zanin e dois meses para oficializar a escolha de Flávio Dino. A expectativa entre integrantes da corte é que ele leve um tempo semelhante para indicar o substituto de Barroso.
Bela Megale - O Globo