Voto diferente na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luiz Fux, pediu nesta terça-feira (21) para deixar o grupo. Por meio de ofício, Fux solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, que fosse "movido" para a Segunda Turma, após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Assista abaixo:
A informação é da colunista Malu Gaspar, do Globo. "Manifesto meu interesse em compor a 2ª Turma deste Supremo Tribunal Federal, considerando a vaga aberta pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso", escreveu Fux a Fachin.
No ofício, Fux recorre ao artigo 19 do regimento interno do Supremo, que prevê que "o Ministro de uma Turma tem o direito de transferir-se para outra onde haja vaga; havendo mais de um pedido, terá preferência o do mais antigo".
No caso da Primeira Turma, o único ministro com tempo de atuação na Corte superior ao de Fux é Cármen Lúcia. Em 2021, após a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello, Cármen fez o movimento inverso ao pretendido por Fux agora: a ministra saiu da Segunda Turma, responsável por cuidar dos processos da Lava-Jato, e migrou para a Primeira Turma, onde se encontra até hoje.
VOTO CONTRÁRIO A TRAMA
A Primeira Turma, responsável por julgar as ações penais dos núcleos da trama golpista, é composta atualmente por Fux, Cármen, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e pelo presidente do colegiado, Flávio Dino.
Nos julgamentos relacionados à intentona golpista, Fux tem sido cada vez mais uma voz isolada na defesa dos réus, votando pela absolvição de investigados (como no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro) ou pela imposição de penas mais brandas (como no caso da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que pichou com batom a estátua da Justiça).
Já a Segunda Turma é formada pelos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e pelos dois integrantes da Corte indicados por Bolsonaro: Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Com a aposentadoria de Barroso, abriu uma vaga no colegiado.