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O que esperar da reunião entre Lula e Trump na Malásia neste domingo

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump terão neste domingo, 26, a primeira reunião cara a cara, depois que os dois países registraram o pior momento em 200 anos de relações. Os dois líderes pretendem ter uma conversa eminentemente política de alto nível, criando as bases para que negociadores, de ambos os lados, construam a partir do encontro um acordo que atenda, ao menos em parte, as demandas brasileiras e norte-americanas.

Planejada há dias com discrição e cuidados, o encontro — que acontecerá em Kuala Lumpur, onde ambos participam como convidados da 47ª Cúpula de Líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) — foi confirmado pelos dois presidentes na véspera.

A ideia é que os dois se reúnam no final da tarde de domingo, às 15h30, pelo fuso horário da Malásia, madrugada no Brasil, às 4h30.

Ajustes podem ser feitos até o último momento, mas as burocracias da Casa Branca e do Palácio do Planalto reservaram uma sala no Centro de Convenções de Kuala Lumpur (KLCC) para que Lula e Trump conversem a sós, apenas acompanhados de intérpretes. Na antessala, devem ficar disponíveis o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, bem como outros assessores presidenciais.

Um sinal das incertezas pela frente é que nem o Palácio do Planalto nem a Casa Branca divulgaram, nas primeiras versões públicas das respectivas agendas presidenciais, a reunião entre Lula e Trump. Mas ambos depois confirmaram o agendamento.

Ao fim, eles podem convocar a imprensa para dar declarações ou optar por comunicados por escrito, a depender da dinâmica da conversa. É certo que haverá imagens do encontro - uma foto tem grande potencial de impacto político e é do interesse deles.

Negociadores brasileiros - e o próprio Lula - reconhecem que as chances de um acordo amplo e imediato são pequenas. No sábado, 25, Lula disse que deseja colocar “todos os problemas na mesa” e conhecer as exigências de cada lado. Trump, por sua vez, admitiu pela primeira vez que poderia reduzir tarifas, sob certas condições.

No avião a caminho da Malásia, Rubio disse que “levará tempo para resolver algumas dessas questões na frente comercial”.

“Acreditamos que, a longo prazo, é benéfico para o Brasil nos tornar seu parceiro comercial preferencial em vez da China – por causa da geografia, por causa da cultura, por causa de um alinhamento em muitos aspectos”, disse Rubio.

“Obviamente, temos alguns problemas com o Brasil, particularmente como eles têm tratado alguns de seus juízes, têm tratado o setor digital nos Estados Unidos, os indivíduos localizados nos Estados Unidos por meio de postagens nas redes sociais. Teremos que trabalhar nisso também. Isso se tornou um emaranhado em tudo isso. Mas o presidente vai explorar se há maneiras de superar tudo isso, porque achamos que será benéfico fazê-lo. Vai levar algum tempo”, afirmou o chefe da diplomacia dos EUA.

Estadão

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