O ex-governador Fernando Freire foi transferido do Hospital Walfredo Gurgel para o Memorial, após sofrer uma fratura no fêmur. Vai precisar passar por cirurgia.
A vida de Fernando daria uma novela daquelas pesadas, cheias de luxo, queda e abandono. Nasceu milionário, dono de concessionárias, revenda de tratores e consórcio no Rio. Perdeu tudo, gastou, colocou os pés pelas mãos.
Na política, viveu o auge e o inferno. Filho de senador da república, irmão de deputado. Foi deputado federal também, vice-governador e assumiu o governo do RN por nove meses. Em 2002, tentou se reeleger e chegou ao segundo turno. Perdeu. Depois disso, virou réu em uma série de processos por corrupção, fugiu, foi preso em Brasília, anos depois novamente preso no Rio de Janeiro, voltou ao RN escoltado.
Cumpriu pena no quartel da PM, onde vivia de esmolas, pedia R$ 10 ou até cigarros a quem passava. Foi abandonado pela família e pelos amigos de poder.
Hoje, aos pedaços, Fernando Freire é o retrato cruel da decadência política, financeira e familiar. Um homem que teve tudo, dinheiro, status, poder e terminou com nada, até sem plano de saúde. Um roteiro de insucesso, irresponsabilidade e solidão. Um retrato que não deve ser seguido.
Foto: Fred Carvalho