O governo Lula avalia aumentar novamente as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como alternativa à derrota da Medida Provisória 1303 na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 8. Segundo apurou o Estadão, a indicação foi dada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em conversas com parlamentares nesta semana. O IOF, contudo, compensaria apenas uma parte da MP, e medidas de contingenciamento de gastos também são vistas como inevitáveis, principalmente para o ano que vem.
Procurado, o Ministério da Fazenda afirmou que “não há nada decidido” sobre a forma de compensação.
Na noite desta quarta-feira, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que é “natural que o IOF volte à mesa como alternativa”.
O governo já aumentou alíquotas do IOF no final de maio, mas foi forçado a recuar em alguns pontos - o que obrigou o Executivo a editar a Medida Provisória com alternativas de arrecadação para compensar essas perdas. Agora, com a derrota da MP, pontos da proposta inicial do IOF podem ser recuperados, segundo apurou a reportagem.
O projeto original previa R$ 40 bilhões de arrecadação com o IOF. Com as mudanças, o número caiu para R$ 27 bilhões. Agora, entre as alternativas sobre a mesa estão a recomposição de alíquotas de IOF para operações de câmbio, pessoas jurídicas e seguros.
Segundo o economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos, juntas, essas medidas poderiam render em torno de R$ 7 bilhões a mais para o Orçamento anual do governo, subindo o número total para R$ 34 bilhões.
“Outra opção do governo seria reapresentar medidas da MP, mas desta vez como forma de projeto de lei; por exemplo, com a limitação das compensações tributárias e as medidas de contenção de despesas, com o seguro-defeso e Atestmed”, afirmou Sbardelotto.
Estadão