O deputado Eduardo Bolsonaro (PL) reagiu ao ministro Alexandre de Moraes (STF), que votou para aceitar denúncia da Procuradoria-Geral da República e torná-lo réu por coação no curso do processo.
Em conversa com a coluna por telefone nesta sexta-feira (14/11), Eduardo Bolsonaro classificou o voto de Moraes como uma “continuação da caça às bruxas”, usando o mesmo termo adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para se referir ao julgamento de Jair Bolsonaro.
“É a continuação da caça às bruxas, pois é totalmente inconstitucional, uma vez que Moraes se diz vítima de coação e, mesmo assim, ele me julga. Bem como aquele que me acusa, pois [o procurador-geral da República] Paulo Gonet foi sancionado com a perda de visto americano e, num jogo de cartas marcadas, age em conluio com o violador de direitos humanos Alexandre de Moraes.”
Eduardo Bolsonaro também questionou aspectos formais do processo, alegando não ter sido devidamente citado. E argumentou que a decisão de aplicar a Lei Magnitsky contra Moraes foi do governo dos Estados Unidos.
“Não fui oficialmente citado, por mais que seja notório que eu esteja residindo em local certo e sabido pelas autoridades americanas. Moraes fala que está aceitando denúncia por coação por ato praticado pelo presidente Trump, fora da jurisdição brasileira, e um ato lícito, uma vez que a Lei Magnitsky é, por óbvio, uma lei aprovada pelo Congresso americano.”
O parlamentar sustenta que não atuou para tentar alterar o curso do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, mas para punir autoridades que cometeram abusos.
“Tampouco, o meu trabalho objetivava a absolvição do meu pai, visto que não espero nenhuma decisão justa vinda de um tribunal de exceção e inquisitório. Assim, a minha energia sempre se voltou para levar consequências aos notórios abusos e violações de direitos humanos cometidos por Moraes.”
Paulo Cappelli - Metrópoles