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Fictor anuncia compra do Banco Master
economia

Raquel Landim: Operação de compra do Master pelo BRB foi tentativa de abafar investigação do Banco Central

A operação de compra do Master pelo BRB não passou de uma tentativa de abafar uma investigação do Banco Central que já estava em curso. É só puxar a linha do tempo traçada pelas autoridades.

No primeiro trimestre deste ano, a diretoria de fiscalização do Banco Central detectou problemas nas vendas de carteiras de crédito consignado do Master para o BRB. As operações se repetiam e se tornavam cada vez mais vultosas.

Segundo apurou a coluna, BC fez então o que se chama de “relato de fato” ao Ministério Público, que informou à Polícia Federal. E mandou que os dois bancos interrompessem as operações. O MP iniciou as investigações.

No dia 31 de março, o conselho de administração do BRB aprovou a compra de 58% do Banco Master por R$ 2 bilhões, mantendo o banqueiro Daniel Vorcaro no negócio.

Há suspeita entre as autoridades que foi uma tentativa de juntar o balanço das duas instituições e esconder as operações fraudulentas.

Nas reuniões para avaliar a aquisição, o BC sempre pedia mais e mais informações.

Os executivos do BRB e do Master pareciam tranquilos. Afinal, estavam desfazendo o problema que eles mesmos haviam criado. A questão é que, se você comete um crime, ele não é apagado porque você tenta voltar atrás.

O rombo continua lá e hoje é estimado pela Polícia Federal em R$ 12,2 bilhões.

Ciente do seu dever, o Banco Central vetou a operação. O Master passou a sobreviver usando empréstimos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma reserva feita pelos bancos privados para garantir a solvência do sistema financeiro.

As investigações do MP e da PF seguiram e culminaram na Operação desta terça-feira, 18.

Ao que tudo indica, Vorcaro e seus aliados tentaram repetir o estratagema.

Segundo fontes ouvidas pela coluna, a liquidação já estava preparada e os mandados de prisão encaminhados quando surgiu uma nova tentativa de venda do Master. Dessa vez para a Fictor.

Com o apoio de supostos investidores árabes, a financeira, que é mais conhecida por patrocinar o Palmeiras, dispunha-se a comprar o banco com uma injeção de R$ 3 bilhões.

A notícia aparece primeiro na imprensa sem aviso ao BC a quem cabe avaliar e aprovar qualquer troca de controle acionário entre instituições financeiras.

A suspeita aqui é que, com a ajuda de suas conexões em Brasília, Vorcaro soube da operação e planejou essa aquisição e a uma viagem ao exterior como uma cortina de fumaça.

Não adiantou. O Master foi liquidado e ele foi preso ao tentar fugir do País em um jatinho.

Mas ainda resta uma ponta solta na qual as autoridades têm que avançar. A mando de quem agia o presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, que foi afastado do cargo?

Raquel Landim - Estadão

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