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Mario Sabino: Messias quer deixar de ser Bessias. Impossível


Confesso que tenho certa simpatia por Jorge Messias, indicado por Lula ao STF. É um sujeito esforçado, tem uma história de superação, como tantos brasileiros.

Segundo li na coluna de Vera Rosa, ele gosta de contar que conciliava a função de gerente da Caixa Econômica com o estudo de Direito, em Recife. “Eu me trancava no cofre da Caixa para estudar na hora do almoço. Era o horário que eu tinha para estudar, por causa do expediente do dia”, diz Messias.

Eu diria que estudar Direito dentro do cofre de um banco é ótimo treino para a profissão.

Messias também costuma afirmar que na porta dele não tem ideologia, que o seu trabalho é construir pontes e que é “terrivelmente pacificador”, ironia óbvia ao “terrivelmente evangélico” usado por Jair Bolsonaro quando indicou André Mendonça para o STF.

O ministro terrivelmente evangélico se apressou, aliás, em rasgar elogios públicos ao candidato a ministro terrivelmente pacificador. Disse que trabalhará para que o seu nome seja aprovado no Senado. André Mendonça parece enxergar Messias menos como antípoda político e mais como irmão na fé. Bonita despolarização.

Messias não é filiado ao PT, mas tem o coração petista, com muito orgulho e, principalmente, com muito amor, embora declare não ter ideologia à sua porta. Afirma que levará para o túmulo a gratidão que nutre por Lula.

É um belo sentimento, a gratidão, e raro. O comum é topar com a ingratidão. Abro parêntese. Eu me me lembro de ter lido em algum lugar que há três tipos de ingratos: os que esquecem o favor, os que o cobram e os que o vingam. Fecho parêntese.

A gratidão de Messias é por ter sido nomeado advogado-geral da União. “O presidente Lula resgatou o meu nome. Antes de eu ser convidado para esse cargo, as pessoas me chamavam de Bessias. Hoje, eu voltei a ser Jorge Messias. Para a minha vida, isso é tudo”, disse ele, por ocasião da nomeação.

Messias não quer ser o Bessias que correu para entregar a Lula o termo de posse como ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff e, assim, tentar blindar o chefão petista contra a Lava Jato.

É ingenuidade de Messias, porém, achar que deixou ou deixará de ser Bessias. Impossível. Ele foi indicado para o STF justamente por ser o velho e bom Bessias, fiel escudeiro sempre à disposição para manifestar a sua gratidão a Lula.

Qual é o problema? Nenhum. Discordo, portanto, de alguns colegas indignados. Eu só veria problema de ele ocupar o lugar que era de Luís Roberto Barroso, se isso fosse mudar o Supremo para pior. Francamente, não vai mudar nada. Tenhamos presente que a missão de Bessias acabou sendo cumprida quando Lula foi tirado da prisão. O Brasil é cheio de histórias de superação.

Mario Sabino - Metrópoles

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