Alexandre de Moraes fez com Bolsonaro o que ninguém imaginou: desmontou o mito sem um tiro, sem um grito, sem sopro de bravura nas ruas. Fez a desconstrução no silencioso. Na miúda. E quando a prisão finalmente veio, o país já tinha assimilado. Bolsonaro já estava preso sem estar. A tornozeleira invisível do isolamento funcionou.
A direita sonhava com multidões, caminhões, buzinas, panelaço invertido. Nada. O Brasil seguiu o dia normalmente, pedindo café e pão na chapa. Foi a prova de que Xandão não desmontou só o ex-presidente, mas anulou a capacidade de reação.
A comparação com Lula é humilhante. O petista resistiu dois dias num sindicato cercado de militantes enlouquecidos. Bolsonaro não pode fazer uma oração. O contraste dói.
No fim, a prisão virou catarse. Muita gente da direita respirou aliviada como quem diz: “acabou, né?”. Não porque concordam com o processo, mas porque estavam cansados do arrasto, do drama, da paralisia. Sem líder, a direita virou um cachorro procurando o próprio rabo. E Alexandre de Moraes, goste ou não, escreveu o capítulo mais doloroso dessa história.