O Advocacia do Senado pediu, nesta quarta-feira (10/12), que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes reveja a decisão cautelar que suspendeu diferentes dispositivos da Lei do Impeachment e que o processo seja retirado do plenário virtual para análise dos demais ministros.
A notícia é do Metrópoles. Em manifestação encaminhada à Corte, os advogados do Senado argumentam que a decisão deve ser suspensa porque há um projeto de lei do ex-presidente da Casa, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que moderniza a Lei do Impeachment e cuja análise estava prevista para a reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) desta quarta-feira, sob relatoria do senador Weverton (PDT-MA).
Ocorre que, conforme mostrou o Metrópoles, a discussão da matéria na CCJ acabou adiada por decisão do próprio relator.
“A decisão cautelar possui o propósito de resguardar a independência do Poder Judiciário, objetivo cuja relevância o Senado Federal reconhece e prestigia. Todavia, os efeitos imediatos da decisão cautelar, ao alterarem parâmetros centrais do regime jurídico atualmente vigente, acabam por produzir efeitos reflexos no processo legislativo em andamento, criando zonas de dúvida interpretativa, risco de assimetrias normativas e obstáculos à elaboração técnica do novo diploma legal em fase final de consolidação”, salientou os advogados.
Os representantes da Casa afirmam ainda que não há qualquer processo de impeachment de ministros do STF em curso no Senado, o que, segundo eles, elimina risco institucional decorrente da suspensão temporária da cautelar.
“A inexistência de qualquer procedimento em curso dessa natureza demonstra, de modo objetivo, que a suspensão temporária da eficácia da decisão não ocasionará dano efetivo ou risco institucional à ordem constitucional, ao passo que permitirá a conclusão harmônica do processo legislativo em curso”, diz o documento.