O balanço do 3º trimestre, divulgado ontem pela ANS, escancara um problema clássico: a receita cresce, mas a despesa cresce mais rápido.
As contraprestações (receitas) saltaram de R$ 966,1 milhões para R$ 1,026 bilhão, alta de 6,24%. Até aí, tudo bem. O problema está do outro lado da DRE.
Os eventos indenizáveis (sinistros) continuam altíssimos: R$ 864,3 milhões, praticamente estáveis (-1,36%), consumindo quase toda a receita. Resultado: a operação até melhora, mas por pouco.
O resultado das operações com planos de saúde subiu de R$ 89,8 milhões para R$ 162 milhões (+80%). Só que essa melhora foi engolida pelo crescimento agressivo das despesas.
👉 Despesas administrativas:
Foram de R$ 92,9 milhões para R$ 96,9 milhões. Alta de 4,28%. Em valor absoluto, mais quase R$ 4 milhões no custo da máquina.
👉 Despesas de comercialização:
Subiram de R$ 6,9 milhões para R$ 8,4 milhões. Alta pesada de 20,97%. Vender ficou bem mais caro.
👉 Outras despesas operacionais (especialmente as não relacionadas diretamente aos planos):
Explodiram. Saíram de R$ 20,6 milhões para R$ 57 milhões, um salto de 175%. Aqui está o ponto mais sensível do balanço.
O golpe final veio no financeiro e nos impostos. O que era lucro líquido de R$ 5,2 milhões no ano passado virou prejuízo de R$ 5,1 milhões agora. Uma virada de R$ 10 milhões para trás.
Resumo sem maquiagem:
A Unimed Natal fatura mais, mas gasta pior. A estrutura administrativa cresce, a área comercial encarece e despesas operacionais fogem do controle. O resultado é simples: o associado paga mais, o custo explode e o lucro evapora. Gestão é complicado.