A empresária Roberta Luchsinger está entre os alvos da nova fase da operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema nacional de descontos ilegais aplicados sobre aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Neta e herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse, Roberta também é ex-companheira do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. Na manhã desta terça-feira, ela foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido em um endereço no bairro de Higienópolis, área nobre da cidade de São Paulo.
De acordo com a Polícia Federal, a empresária é apontada como integrante do núcleo político da organização criminosa responsável pelo desvio de recursos de beneficiários do INSS. O esquema, segundo as investigações, seria liderado por Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”.
As apurações indicam que Roberta teria papel relevante na ocultação de patrimônio, na movimentação de valores e na administração de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas para a lavagem de dinheiro. Essas atividades, segundo a PF, teriam sido realizadas por meio de empresas usadas como instrumentos para dissimular a origem ilícita dos recursos.
Na decisão que autorizou as medidas de busca e apreensão, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça destacou que a Polícia Federal identificou ao menos cinco transferências no valor de R$ 300 mil cada, totalizando R$ 1,5 milhão. Os repasses teriam sido feitos pela empresa Brasília Consultoria Empresarial S/A, ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, para a RL Consultoria e Intermediações Ltda., de propriedade de Roberta Luchsinger.
Em mensagens trocadas entre o suposto líder do esquema e um de seus sócios, também investigado, há referência a um dos pagamentos como sendo destinado ao “filho do rapaz”. A decisão judicial, no entanto, não esclarece a quem a expressão se refere.
Além das investigações, Roberta Luchsinger também chama atenção por suas manifestações públicas nas redes sociais. Ela comemorou a condenação e a inelegibilidade do ex-procurador da República e ex-coordenador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol. Em novembro, publicou uma mensagem celebrando a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando o episódio como um grande dia para o Brasil.
A empresária também manifestou apoio à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e mantém publicações favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de críticas a parlamentares da direita, como a deputada Carla Zambelli.