Uma suposta “carta aberta” atribuída ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e endereçada à jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, que circula nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, é falsa. O texto, de tom agressivo e combativo, não foi escrito nem divulgado pelo ministro e não tem qualquer respaldo oficial. A informação foi destaque no Jornal das 6, da 96 FM. Assista abaixo:
A mensagem começou a viralizar após reportagens envolvendo Moraes e supostos contatos com integrantes do Banco Central sobre interesses do Banco Master. Aproveitando o ambiente de tensão entre setores do Judiciário e da imprensa, o conteúdo fake apresenta uma longa carta em que o ministro supostamente acusa a jornalista de “lawfare”, disseminação de fake news e anuncia ações penais e cíveis contra ela.
Não há, porém, qualquer registro da existência dessa carta nos canais oficiais do STF, nem nas redes sociais de Alexandre de Moraes. O jornal O Globo e a própria Malu Gaspar também não confirmaram o recebimento de qualquer documento com esse teor. Em situações reais de embates entre autoridades e a imprensa, é comum que haja manifestações públicas dos veículos, o que não ocorreu.
Além disso, o texto não condiz com o padrão institucional adotado por ministros do Supremo. Especialistas apontam que o tom belicoso, o vocabulário usado e as comparações políticas presentes na suposta carta são típicos de conteúdos fabricados para gerar engajamento e inflamar disputas ideológicas, e não de comunicações jurídicas ou institucionais.
O que de fato ocorreu foi a divulgação de uma nota oficial em que Alexandre de Moraes negou irregularidades apontadas na reportagem, esclarecendo que não houve pressão sobre o Banco Central e que o escritório de sua esposa não atuou no caso citado. Em nenhum momento o ministro anunciou processos contra a jornalista.
Entidades como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também se manifestaram, mas para repudiar ataques direcionados à profissional, e não para comentar qualquer iniciativa judicial do magistrado.
A conclusão é que a suposta carta aberta é apócrifa e faz parte de mais um episódio de desinformação, criado para parecer oficial e aumentar a polarização política. O conteúdo não reflete a atuação nem a forma de comunicação adotada pelo ministro do STF.