Em um passado não muito distante, uma TV considerada grande tinha 29 polegadas. Nos últimos anos, o tamanho passou para 100 polegadas, mas com preços que chegavam a R$ 300 mil. Agora, esses televisores de telas grandes são encontrados por preços mais acessíveis, partindo de R$ 15 mil e atingindo até R$ 150 mil. Com a queda de preços, os aparelhos começam a se popularizar, especialmente no período que antecede a Copa do Mundo.
Segundo dados da consultoria Omdia, a venda global de telas de 98 polegadas ou mais deve saltar de 833 mil unidades em 2024 para 1,47 milhão em 2025. Na América Latina e Caribe, o avanço é ainda mais agressivo: o mercado cresceu de apenas 4 mil unidades em 2023 para 29 mil em 2024 — alta de 587% — e deve chegar a 39 mil em 2025.
Globalmente, Samsung, TCL e Hisense consolidam-se como as principais fornecedoras desses televisores de telas grandes. A liderança em 2024 é da Hisense (30% do mercado), seguida por TCL (27,6%) e Samsung (13,8%). Já na América Latina, o movimento é distinto: a TCL assumiu a dianteira em 2024, saltando de 12,8% para 56% de participação, enquanto a Samsung caiu de 80% de parcela de mercado para 37,7%. A LG aparece em terceiro lugar, com 2,5%. No Brasil, a líder do segmento é a Samsung.
Nos aparelhos vendidos no Brasil com telas de 100 polegadas, a resolução de imagem predominante é 4k. Segundo especialistas, a resolução 8k ainda é cara e não tem oferta de conteúdo o suficiente — apesar de existirem opções no mercado com essa resolução em telas menores.
Guilherme Campos, diretor de produtos de TV da Samsung Brasil, conta que a distância ideal para instalar uma TV de tela super grande, como 98 polegadas ou mais, é significativamente menor do que se pensava no passado, graças à evolução da tecnologia de imagem.
“Se a gente falar de espaços de 3,5 m, hoje você já consegue ter uma experiência com uma tela de 98 tranquilamente, sem ter de deslocar muito o seu pescoço para os lados. Com os olhos, você vai conseguir traçar todos os objetos ali e ter uma experiência visual surpreendente, porque até ela foi pensada para isso e já tem toda a tecnologia para conseguir trazer realismo de imagem”, afirma Campos.
As TVs com preços mais acessíveis são aquelas fabricadas no País, em Manaus. Os modelos importados são os que vêm de fora e contam com tecnologia de ponta em termos de qualidade de imagem, portanto, passando da faixa de preço de R$ 100 mil. Esses aparelhos mais sofisticados e caros, normalmente, não ficam no estoque das varejistas e são entregues pelas fabricantes quando um consumidor realiza a compra.
Erico Traldi, vice-presidente de marketing e vendas da Hisense no Brasil, afirma que a demanda global por telas grandes permite que a marca consiga uma prioridade junto aos fornecedores de painéis para o tamanho de 100 polegadas exatas, em contraste com a maioria dos concorrentes que trabalha com displays de 98 polegadas.
Traldi diz ainda que a meta da Hisense é atingir rapidamente a liderança no mercado brasileiro nessa categoria, assim como a marca já lidera globalmente.
“A gente tem capacidade de efetivamente ter essa liderança rapidamente no Brasil, com todo o plano de Copa no ano que vem e o reconhecimento da marca”, afirma Traldi.
O executivo diz ainda que o tamanho médio de tela de televisores na de América Latina é de 48 polegadas, enquanto o tamanho mais comum na China é de 63 polegadas.
Níkolas Stein Corbacho, gerente sênior de produto da TCL, conta que a marca observou uma forte demanda nos Estados Unidos e também na Europa. Por isso, em 2023, trouxe os aparelhos de 98 polegadas para o Brasil, mas com cautela. “Trouxemos um volume muito tímido, porque imaginávamos que a demanda seria pequena não só pela dimensão do produto que é grande, mas pelo preço que é muito maior, muito mais alto”, afirma.
No entanto, a marca disse que o interesse do consumidor brasileiro por esse tipo de produto superou as expectativas. “O que vimos é que ela chama muito atenção, então obviamente quando o consumidor entra vê uma tela desse tamanho que tem mais de 2 metros de largura. Fala: ‘Nossa, essa TV é um absurdo’. Vimos que existia uma demanda reprimida do consumidor de alta renda e por quem usava um projetor, que não tem a mesma qualidade de imagem de uma TV”, diz.
Novas tecnologias
Além do tamanho das telas, o mercado de televisores é marcado por uma disputa de tecnologias de display. Nos últimos anos, os aparelhos tinham painéis com retroiluminação LED ou os painéis OLED com material orgânico emissor de luz (sem retroiluminação). Depois, vieram os painéis LED com camada de pontos quânticos, chamados QLED, para ajustar cores e contraste, uma vez que a definição de cores é o calcanhar de Aquiles dos televisores mais básicos.
A tecnologia mais nova agora é chamada Mini LED. A característica principal do Mini LED é que essas minilâmpadas que iluminam a tela são controladas individualmente pelo processador de imagem. Desse modo, o “vazamento” da cor de um pixel para os demais é evitado.
As TVs que têm a tecnologia Mini LED também contam com a camada de pontos quânticos para o refinamento de cores. Com isso, esse tipo de display é o mais avançado do mercado atual e tem maior facilidade para as fabricantes utilizarem em telas grandes do que o OLED, mais suscetível a quebras durante a produção.
Por conta disso, as TVs de 98 a 116 polegadas vendidas no País utilizam a tecnologia Mini LED nos modelos mais caros e o LED convencional nas versões mais baratas.
Em nível de software, todos os televisores contam com recursos de inteligência artificial, que são usados, em geral, para a melhoria da qualidade de imagem.
Estadão