O momento do ABC é um desastre anunciado, mas o torcedor insiste em fingir surpresa. Em campo, a torcida já se acostumou com vexames: eliminação na primeira fase da Copa do Brasil, fora da pre-Copa do Nordeste e sem o título potiguar. Mas o problema não está nos pés dos jogadores, está na cabeca da gestão. Ou, para ser mais exato, na presidência de Dudu Machado, que conseguiu transformar um clube centenário em uma praça de guerra, com vaidade de um lado e desorganizacao do outro.
Dudu trouxe para o ABC um clima de repartição pública em greve: ninguém sabe, ninguém manda, ninguém resolve. Profissionalismo passou longe. E quando parecia que nada podia piorar, ele decidiu “vender” um terreno do clube, detalhe: sem passar pelo Conselho Deliberativo e mesmo com o ABC estando em recuperação judicial. A ousadia só não é maior que a cara de pau. O presidente age como se tivesse mandato divino, quando mal tem moral para convocar reunião de condominio.
A verdade é que Dudu perdeu as condições morais, administrativas e simbolicas de continuar a frente do clube. Ele queria um emprego, não tinha tamanho e nem capacidade para presidir o ABC. Só não saiu ainda porque a vaidade é maior que o bom senso e porque, no futebol, sempre tem alguém disposto a afundar abraçado ao cargo. O ABC agoniza nas mãos de quem prefere o espelho a responsabilidade. E o torcedor? Esse assiste ao circo, pagando ingresso para ver sua paixão ser ridicularizada jogo após jogo. O que aconteceu no sábado no Arena das Dunas foi vergonho, o ABC estava vencendo por 3x1 e cedeu o empate nos últimos minutos. Agora ficou próximo da zona de rebaixamento e o pior, totalmente sem dinheiro.
Renuncia, Dudu!