Se o governo Fátima fosse um jogo de cartas, Walter Alves seria o curinga esquecido no fundo da gaveta. Oficialmente, ele é vice-governador há quase quatro anos. Na prática, é um figurante de luxo, com crachá e sem sala. Faltam oito meses para Fátima renunciar e tentar o Senado, e o MDB ainda espera, com a cara de quem pediu um cafezinho e levou um chá de cadeira.
Enquanto o PT manda e desmanda no governo, Walter observa à distância, como quem foi convidado para a festa, mas ficou do lado de fora, segurando o presente, com um pirulito na boca. Não participa de decisões, pouquíssimas indicações, não influencia nada. É vice no papel, mas tratado como suplente de vereador em cidade do interior. Nem o cargo de síndico do Centro Administrativo lhe ofereceram.
O mais surreal é que, salvo uma hecatombe, ele será governador em 2026. Vai sentar na cadeira sem nunca ter experimentado o banco. Assumirá o cargo como quem herda uma casa onde nunca pôde pisar. E o PT, que gosta tanto de falar em inclusão, excluiu Walter com uma frieza digna de planilha de Excel. Nem traição foi, é desprezo mesmo, aquele tipo de humilhação que não grita, só ignora.
Será que Walter dará o mesmo tratamento a governadora Fátima Bezerra quando assumir?