A atual legislatura do Senado Federal já registrou 26 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O recordista é Alexandre de Moraes, alvo de 13 requerimentos, dentre eles, um apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na última quarta-feira (23/7).
A notícia é do Metrópoles. Moraes se tornou o principal foco dos pedidos de cassação de mandato nos últimos 2 anos diante da sua atuação como relator de inquéritos que investigam a atuação do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de aliados. Dentre eles, o inquérito das Fake News, dos ataques do 8 de Janeiro e da tentativa de golpe.
Dos pedidos protocolados contra o ministro, nove deles foram apresentados por cidadãos comuns. A Lei nº 1.079/50, conhecida como Lei do Impeachment, determina que qualquer pessoa pode apresentar uma denúncia contra ministros do Supremo ou contra o procurador-geral da República por crimes de responsabilidade.
Quatro pedidos foram protocolados por autoridades eleitas aliadas de Bolsonaro, como o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), Bia Kicis (PL-DF), Bibo Nunes (PL-RS) e o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG).
O segundo ministro com o maior número de pedidos de impeachment é o presidente da Corte, Luis Roberto Barroso. Foram sete requerimentos apresentados nos últimos 2 anos. O mais recente foi despachado em 14 de julho e foi apresentado pela líder da minoria na Câmara, a deputada Carol de Toni (PL-SC).
Barroso entrou na mira do bolsonarismo ainda em 2022 depois que respondeu “perdeu, mané” a manifestantes de direita em Nova York. Em 2023, já na atual legislatura, mas meses antes de assumir o comando do Supremo, Barroso disse “derrotamos o bolsonarismo” durante um evento com estudantes.
Os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino foram alvo de dois pedidos de impeachment cada um, enquanto Dias Tóffoli foi alvo de um. O PGR, Paulo Gonet, foi alvo de um requerimento de cassação e o advogado-geral da República, Jorge Messias, também.
Tramitação
Um pedido de impeachment contra ministros do STF nunca foi aprovado na história. Não existe previsão constitucional para impeachment de ministros da Corte, mas, pela Lei do Impeachment, cabe ao Senado o julgamento dessas autoridades se acusadas de crimes de responsabilidade.