O Supremo Tribunal Federal virou uma espécie de “castelo vitalício”. A conta é simples: enquanto Luiz Fux tem pouco mais de dois anos e meio de toga, Cristiano Zanin pode se segurar lá dentro por mais de 20 anos. Uma eternidade. É ou não é um escárnio?
O gráfico escancara o absurdo: ministros que ficarão três décadas mandando e desmandando sem ter recebido um único voto. É a elite da canetada, blindada por um sistema que ninguém ousa mexer. O povo troca presidente, governador, deputado. Já o STF, não. Ali, o poder se renova só quando a biologia manda.
Zanin, Dino, Mendonça, Kassio… todos com mais de 200 meses pela frente. É um fôlego que nenhum político eleito tem. A balança da democracia fica torta: Legislativo e Executivo se alternam sob o crivo das urnas, enquanto o Judiciário se eterniza numa redoma.
O Congresso até ensaia um projeto para limitar os mandatos a 8 ou 10 anos. Mas será que passa? Difícil. Quem vai cutucar a onça togada? O STF hoje manda tanto que é capaz de declarar inconstitucional qualquer tentativa de colocar rédea nesse poder sem voto.
Enquanto isso, o Brasil assiste a ministros acumulando décadas de influência, como se fossem reis absolutos da Constituição. Não há democracia saudável com um poder sem prazo de validade. STF vitalício é STF absoluto. E absoluto, todos sabemos, é sinônimo de autoritário.