Em Natal, mais que carro, apartamento no Porto Brasil ou raquete de Beach Tennis, o passaporte para a aceitação social é a bolsa. Não é qualquer bolsa, tem que ser de grife. A Hermès é a medalha de ouro, sinal de que a dona é “podre de rica”. Mas como nem toda natalense tem bala para torrar 40 mil num pedaço de couro, entra em cena o Alecrim e a 25 de Março.
A cidade virou capital mundial da réplica. No almoço de domingo, você olha para as mesas no 3° andar do Shopping Midway: uma Dior que veio do Brás, uma Chanel que nasceu na Shopee e uma Louis Vuitton com etiqueta torta comprada no Alecrim. Todas “originais”, claro. Quando perguntam pela nota fiscal, a resposta é padrão: “Foi presente do marido”. O marido? Tá com o cartão bloqueado e devendo 3 prestações do Compass.
A graça é que cada bolsa define a personalidade da dona. A Louis Vuitton, de tão grande e comum, só pode ter como proprietária uma mãe de três filhos, carrega fralda, garrafa Stanley e boleto atrasado. A Chanel é a chefe do grupo do condomínio que não paga taxa extra. Já a Hermès, coitada, nunca pisou em Natal: a única Birkin que apareceu era “réplica perfeita” e a dona desfilava com tanto orgulho que parecia ter inventado a bolsa.
O mais engraçado é a patrulha das madames. As mulheres se avaliam mais pela costura da bolsa do que pelo próprio marido. O batom pode ser Avon, o silicone financiado, mas se a bolsa for “quase original” vale o sacrifício.
As dondocas deveriam andar com a nota fiscal colada na bolsa para mostrar que é original.