Há anos coloquei como regra não noticiar caso de desaparecimento. Muitas pessoas já ficaram chateadas, porque sempre digo não. É bem simples, se tiver acontecido uma tragédia o corpo aparece, mas em regra são casos de depressão ou alguma coisa relacionado a traição. Ninguém é "achado" porque saiu na imprensa.
Hoje, depois de muitos pedidos, pressão mesmo, coloquei o desaparecimento de um médico muito querido da cidade. Depois descobri que conheço a mãe dele. O fato é que o médico está em depressão e queria um tempo. A questão é que o caso se tornou público, saiu em rádios, TVs, portais e blogs.
Os familiares e amigos ficam desesperadas, expôem a situação, aí depois que a pessoa vai ter que além de tratar o problema ter que explicar a situação. Um problema se transforma em dois.
O médico, assim como milhares de pessoas, enfrenta a depressão. Essa é uma doença que deve ser tratada como uma calamidade social. Porque até aqueles que tem conhecimento profundo (como ele) tem dificuldade de tratar.
Eu já tinha feito há alguns anos um texto parecido com esse, mas volto a repetir, não publicarei mais desaparecimentos, porque na intenção de "ajudar" acaba gerando mais problemas para aqueles que só querem o tempo. Amigos (alunos) e familiares muitas vezes não entendem. Mas a gente já tem idade para não repetir os erros.