No Brasil da hipocrisia, até Capitão Nascimento cansou. Depois de anos descendo o morro, invadindo boca e metendo pressão no tráfico, ele descobriu que o inimigo verdadeiro não estava de fuzil na mão, mas engravatado, blindado em gabinetes e financiado com dinheiro público. O nome disso? Sistema.
Nascimento sabe que não adianta prender soldadinho de favela se os generais do crime vestem terno de político e falam bonito em entrevista. Mas agora, na ironia da vida, o capitão deu o recado: se o sistema tem rosto no cinema, ele vai atrás de Wagner Moura. O ator que interpretou o herói virou alvo do próprio personagem.
Se a ficção denuncia a corrupção, a realidade mostra que o sistema é muito pior. E talvez o único jeito de chocar o país seja esse: Capitão Nascimento batendo na porta de Wagner Moura e dizendo, sem pestanejar: “Pede pra sair!”
O capitão Nascimento representava a moralidade e Wagner Moura apoia o sistema.