O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (22/9) que o Legislativo precisa “tirar da frente” o que ele classificou como “pautas tóxicas” para que o país passe a se debruçar sobre temas como reforma administrativa, segurança pública e isenção do Imposto de Renda (IR), que têm relação direta com o dia a dia da população.
A notícia é do Metrópoles. As afirmações do deputado foram feitas durante participação em um evento promovido por um banco, em São Paulo – do qual também participou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Motta falou um dia depois de manifestações contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e o Projeto de Lei (PL) da Anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. O movimento foi convocado por partidos políticos, movimentos sociais, artistas e influenciadores, e as manifestações ocorreram em todas as capitais do país.
“Infelizmente, a pauta que lidera hoje o noticiário é a pauta do conflito. É a pauta que anima esses polos e deixa os assuntos mais importantes, que dizem respeito ao dia a dia da sociedade, em segundo plano”, lamentou Motta.
Segundo o presidente da Câmara, “é chegado o momento de tirarmos da frente todas essas pautas tóxicas”. “Nós decidimos que vamos tirar essas pautas tóxicas porque ninguém aguenta mais essa discussão. O Brasil tem de olhar para frente: reforma administrativa, a questão do IR, segurança pública… Essa dicotomia em nada interessa ao país”, afirmou.
Motta disse ainda que, como presidente da Câmara, “tem de ter cautela, equilíbrio e encontrar, nessa divergência toda, uma mínima convergência”.
“O trabalho é procurar defender a pauta que não depende só do presidente, mas também do Colégio de Líderes. E que seja uma pauta producente para o país. É mais ou menos o meu trabalho todo dia acordar com essa tela vermelha e encontrar o caminho para que o Parlamento possa navegar e entregar os resultados”, disse Motta.
“Você tem o Brasil, pela primeira vez na história, com um presidente eleito pela terceira vez, já em um trabalho de reeleição colocado, e isso interfere na dinâmica da Casa. Você tem um STF [Supremo Tribunal Federal] julgando um ex-presidente da República por um acontecimento triste como o de 8 de janeiro. Você tem um presidente americano [Donald Trump] impondo tarifas ao Brasil e sanções a ministros da Suprema Corte”, enumerou Motta ao comentar o ambiente político do país.
“Aliado a isso, você tem o desafio fiscal ao país, que é muito grande. Você tem um Congresso de centro-direita, mas dividido desde a eleição de 2022. E, por fim, as cobranças da sociedade sobre segurança pública, combate à fome e questões sociais”, completou.