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Empresas de irmãos e primo de Toffoli tiveram como sócio fundo ligado a suspeitas no caso do Banco Master

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, do STF, tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia de fraudes investigadas no caso do Banco Master, segundo documentos analisados pelo jornal Folha de S. Paulo.

O fundo Arleen manteve participações na Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR), e na DGEP Empreendimentos, incorporadora que tinha como sócio um primo de Toffoli. Ambas tinham vínculos com familiares do ministro.

A ligação com o caso Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos. O Arleen era cotista do RWM Plus, que recebeu recursos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como parte do esquema de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O Arleen não é alvo direto de investigação.

Todos esses fundos eram administrados pela Reag, empresa investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.

Procurado, Toffoli não se manifestou sobre possíveis conflitos de interesse. Familiares do ministro, a Reag e o Banco Master também não comentaram.

Com apenas um cotista, o fundo Arleen foi encerrado no fim de 2025. Seu último balanço mostrava investimentos apenas em quatro ativos, incluindo as duas empresas ligadas à família Toffoli e o RWM Plus.

Segundo investigadores, a estrutura de fundos era usada para desviar recursos do Master por meio de empréstimos fictícios e investimentos em ativos sem liquidez, inflando valores de forma artificial.

Toffoli é o relator do inquérito no STF sobre as fraudes do Banco Master. Desde que assumiu o caso, manteve o processo sob sigilo e tomou decisões criticadas por políticos e agentes do mercado, como a convocação de uma acareação com um diretor do Banco Central.

O resort Tayayá Aquaparque, inaugurado em 2008, já teve participação de irmãos e primos do ministro. Em 2017, Toffoli chegou a ser homenageado pela Câmara de Vereadores local por contribuir para o desenvolvimento turístico da cidade.

Documentos da CVM mostram que o Arleen investiu até R$ 20 milhões no Tayayá e mais de R$ 16 milhões na DGEP. Auditoria de 2025 apontou falta de documentos e inconsistências contábeis, e os auditores se recusaram a emitir parecer sobre o fundo.

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