O Banco Central decretou, nesta quinta-feira (15), a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, atual denominação da Reag Trust DTVM, empresa responsável pela gestão de fundos do grupo Reag Investimentos. A medida foi adotada após o regulador identificar o descumprimento de normas legais e prudenciais, com indícios de irregularidades graves na condução das operações.
Segundo o Banco Central, a decisão implica o encerramento imediato das atividades da instituição, embora os fundos por ela administrados continuem existindo e precisem, agora, buscar novas administradoras para dar continuidade às operações. A autarquia afirmou que a atuação da empresa comprometeu a segurança do sistema financeiro e violou exigências regulatórias.
A Reag Trust já estava sob investigação na Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. De acordo com informações divulgadas pelo g1 e outros veículos nacionais, a empresa teria participado da estruturação e administração de fundos suspeitos de inflar resultados, ocultar riscos e movimentar recursos de forma atípica, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
Além disso, a gestora também foi alvo de apurações na operação Carbono Oculto, deflagrada para investigar esquemas de lavagem de dinheiro ligados à facção criminosa PCC. Conforme reportagens do g1 e da imprensa especializada, a Reag é suspeita de ter administrado fundos de investimento utilizados para ocultar a origem ilícita de recursos da organização criminosa.
A empresa ganhou projeção nacional após reportagens apontarem relações profissionais entre o grupo Reag e pessoas ligadas à família do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. As informações, publicadas por veículos como O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, indicam que a gestora manteve vínculos contratuais com escritórios e empresas associadas a familiares do magistrado. Não há, até o momento, qualquer imputação criminal contra o ministro do STF, e as relações citadas foram descritas como de natureza privada e comercial.
Em nota oficial, o Banco Central afirmou que a liquidação foi decretada com base em critérios técnicos e regulatórios, sem relação com pessoas ou instituições externas, e que o objetivo da medida é preservar a estabilidade do sistema financeiro e proteger investidores.
Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que, em casos de liquidação extrajudicial, os fundos não são automaticamente extintos. Caso não haja aceitação de novas administradoras, o próprio Banco Central poderá determinar a liquidação dos fundos, com a devolução dos recursos aos cotistas conforme o patrimônio existente no momento da decisão.
A investigação sobre as operações da Reag e de seus fundos segue em andamento nos órgãos de controle e na Polícia Federal.