A Facene tirou nota 2 no Enade no curso de Medicina. Num exame em que 5 é a nota máxima, ficar na faixa ruim não é detalhe técnico. É fracasso. E, em Medicina, fracasso tem consequência direta na vida das pessoas.
O vexame fica maior quando se compara. No Rio Grande do Norte, a UFRN alcançou nota 5. Uern, Ufersa e UnP ficaram com nota 4. A Facene, sozinha, aparece com 2. O resultado é constrangedor e perigoso. Profissionais não capacitado estarão no mercado, depois de grande investimento.
O problema não é isolado. Dos 351 cursos avaliados no país, 30% ficaram na faixa insatisfatória. 83 cursos receberam conceito 2. E o governo decidiu agir.
O que acontece agora? Penalidades.
Cursos com conceito 2 sofrem redução de vagas. Cursos com conceito 1 têm suspensão total de novos ingressos. Além disso, há bloqueio do Fies e de outros programas federais.
Em coletiva, o ministro da Educação, Camilo Santana, informou que 99 cursos serão penalizados. Instituições estaduais e municipais ficam fora da alçada direta do MEC.
Resumo das punições no país:
- 8 cursos: suspensão total de novos alunos e fora do Fies;
- 13 cursos: redução de 50% das vagas e fora do Fies;
- 33 cursos: redução de 25% das vagas e fora do Fies;
- 45 cursos: proibidos de ampliar vagas.
As instituições ainda poderão apresentar defesa, mas o recado do MEC é claro: qualidade não é opcional. A justificativa é correta, tem que proteger a população que será atendida por esses profissionais.
No caso da Facene, a pergunta é inevitável: quem fiscalizou até agora? Nota 2 em Medicina não é azar. É gestão falha, falta de compromisso da faculdade. Quem paga a conta não é a faculdade, essa só ganha muito dinheiro. É o paciente.