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Em última sessão presidida por Toffoli, CNJ aprova novo penduricalho para juízes
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‘Climão’ no STF: veja em 4 pontos o que conta contra Toffoli na condução do caso Master e incomoda outros ministros

Dado o histórico de um grande arco de contatos influentes cuidadosamente construído por Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, era de se esperar que a liquidação da instituição financeira e a prisão de seu líder pela Polícia Federal (PF) abalaria o mundo político.

As ligações políticas de Vorcaro ainda deixam muitos políticos preocupados em Brasília, mas curiosamente é no Supremo Tribunal Federal (STF) que vem se desenvolvendo o principal ponto de tensão enquanto se desenvolvem os muitos desdobramentos do caso.

Depois de a colunista do GLOBO Malu Gaspar revelar que o escritório da mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, Viviane Barci, tinha um contrato milionário com o Master, as atenções se voltaram para o ministro Dias Toffoli, que assumiu a condução das investigações em torno dos indícios de fraudes financeiras bilionárias nas atividades do banco de Vorcaro.

A condução do processo pelo ministro, com decisões controversas, e a ligação de seus familiares a negócios relacionados à teia de fundos de investimentos que a PF diz ter sido usada pelo Master para fraudes tem provocado críticas de juristas e incômodo até mesmo dentro do STF.

Como mostrou O GLOBO ontem, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) estão conversando sobre uma solução para tentar diminuir o incômodo gerado pela condução do caso pelo ministro Dias Toffoli. Entre elas está a saída de Toffoli do caso e a aprovação de um código de conduta para juízes de cortes superiores, como o STF.

Veja a seguir quatro pontos que contam contra Toffoli no caso do Master.

1 - Decisões controversas
Toffoli gerou incômodo na Polícia Federal (PF) e no Banco Central (BC), indispondo investigadores ligados às apurações por episódios como críticas à velocidade da investigação, redução do prazo para depoimentos e indicação de profissionais para o trabalho de perícia de material apreendido. A decretação de sigilo para o processo foi alvo de críticas de juristas.

Outro ponto de atrito ocorreu em torno das provas apreendidas na segunda fase da Operação Compliance Zero. Toffoli inicialmente determinou que todo o material fosse lacrado e mantido sob custódia do STF, antes de autorizar que peritos indicados por ele fossem integrados ao processo de extração de dados, sob a chancela da Procuradoria-Geral da República.

Toffoli também provocou a indisposição do Banco Central quando convocou o diretor de Fiscalização da autoridade monetária, Aílton de Aquino, para uma acareação no STF, na semana entre o Natal e o Ano Novo, sem que houvesse contradições anteriores a serem esclarecidas.

Além disso, pretendia colocar um agente da fiscalização que não é investigado na mesma condição de dois alvos do inquérito: Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Aquino acabou dispensado da acareação após prestar um depoimento.

2 - Resort liga familiares à crise do Master
Reportagens revelaram que o cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel (alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da PF, na semana passada) está por trás de uma teia de fundos de investimentos geridos pela Reag (gestora investigada por fraudes envolvendo o Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero e foi liquidada pelo BC) que foi usada para comprar uma parte da participação de irmãos de Toffoli num resort.

Por meio de um fundo, Zettel comprou, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá, segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo. O empreendimento fica em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. A participação valia, à época da transação, R$ 6,6 milhões. A Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, passou a ter o fundo ligado a Zettel como principal sócio.

Toffoli não tem participação direta no empreendimento, mas é um frequentador. Reportagens da Folha de S. Paulo e do portal Metrópoles mostraram que ele continua a visitar o resort com os irmãos, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, e outros familiares, mesmo após a venda do controle do Tayayá para o advogado Paulo Humberto Costa em fevereiro de 2025. Ele comprou a participação remanescente da Maridt e também do fundo ligado ao cunhado de Vorcaro.

Funcionários do resort ouvidos pela Folha disseram que o ministro do STF é um frequentador regular e chega a desembarcar ali de helicóptero. Ele foi visto no local no réveillon. Segundo os relatos, Toffoli costuma ficar hospedado numa casa exclusiva no alto de um morro da área do Tayayá, o que também foi apurado pelo Metrópoles.

Empregados ouvidos pelo portal contaram que a presença de Toffoli é tão frequente com familiares e a mobilização de seguranças que chegaram a achar que ele seria o dono do resort.

Já a cunhada de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, que mora no endereço que consta em registros comerciais como da Maridt, empresa dos irmãos do ministro, disse que o marido, José Eugênio, nunca foi dono do resort e que a casa não seria o endereço da empresa, diz o jornal O Estado de S.Paulo.

3 - Carona para ver jogo no Peru
Toffoli também foi alvo de questionamentos logo no começo de sua atuação no caso do Master por ter viajado a Lima, no Peru, de carona em um jatinho de um empresário.

A viagem tinha como objetivo ver o a final da Taça Libertadores da América entre Flamengo e Palmeiras (time do ministro, que perdeu o título). No avião, estava um advogado de um dos executivos do Master no alvo do inquérito da PF, revelou o colunista do GLOBO Lauro Jardim.

4 - Políticos miram no STF
Parlamentares da oposição dizem ter conseguido assinaturas suficientes para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o caso Master, mas a decisão cabe ao presidente do Senado, David Alcolumbre. O STF estaria no alvo.

Um senador da oposição já pediu à PGR para analisar essa possibilidade, mas a avaliação nos bastidores é de que esse pedido não deve ser feito pelos procuradores da equipe do procurador-geral, Paulo Gonet, informou a colunista do GLOBO Malu Gaspar.

O Globo

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