O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) sinalizou nesta quarta-feira, 18, que a Casa não deve realizar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo do Banco Master.
Em reunião com líderes para discutir a pauta da Câmara, Motta e representantes de partidos da Casa argumentaram que o regimento impede a instalação da CPI neste momento, pois há outros requerimentos e CPIs em andamento na frente da “fila”.
Ficou claro para os presentes que a CPI não será instalada. A situação aumentou a pressão sobre o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o caso Master, formada por deputados e senadores no Congresso.
Alcolumbre, porém, não demonstrou nenhuma disposição para abrir a investigação no Legislativo e resiste a dar apoio para a apuração no Congresso, segundo interlocutores. Procurados, Motta e Alcolumbre não comentaram.
Parlamentares e técnicos argumentam que a CPMI tem obstáculos regimentais menores, pois não depende de uma “fila” de requerimentos - e basta uma sessão deliberativa do Congresso para o pedido ser lido e a CPI ser oficialmente criada.
Na Câmara, há um requerimento apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para criação da CPI do Master com 193 assinaturas, mais que as 171 necessários. No Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) diz ter mais que as 27 assinaturas necessárias para oficializar o pedido de instalação.
No Congresso, há dois requerimentos de CPMIs. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) afirma já ter as assinaturas suficientes entre deputados e senadores. As deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) possuem outro pedido, mas com apoios mínimos atingidos apenas no Senado.
CPI do Crime Organizado deve abraçar caso
Conforme o Estadão revelou, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado deve incluir o caso Master na investigação.
Além disso, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) criou um grupo paralelo para se concentrar no caso e apresentar requerimentos, mas sem poder de quebra de sigilo e convocações.
“É uma desmoralização para o Congresso não investigar e não ir a fundo nos esclarecimentos”, afirmou o deputado Rodrigo Rollemberg ao Estadão. “Entendo que esse é o maior escândalo de corrupção da história do País e, nas palavras do próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estamos diante da maior fraude bancária da história.”
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou em entrevista à CNN, na terça-feira, 27, que é contrário à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o escândalo do Banco Master e que, se depender de sua atuação, não haverá a formação do colegiado.
Estadão