Em 2026, a embalagem valerá mais que o conteúdo. O ano terá cada vez mais projetos de lei embalados para as redes sociais, com “carinhas de coisas simples” e difíceis de serem rejeitados pelos parlamentares.
No primeiro Fala, Duquesa! do ano, a colunista Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, faz duas previsões para 2026 sobre como o governo Lula, que entra em seu último ano de mandato, poderá tentar “arrancar mais um pouquinho” em termos de arrecadação sem parecer que está aumentando impostos.
Primeiro, deve copiar fórmulas que deram certo em 2025, como no projeto que ampliou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Era um “projeto curtinho, focado, que cabia num vídeo de rede social” e que, na prática, incluiu milhões de brasileiros entre os beneficiados, mesmo que trouxesse uma conta maluca, segundo a Duquesa.
O projeto passou por unanimidade no Congresso, já que os parlamentares não iriam votar contra a própria base eleitoral. Esse formato deu certo e deve se repetir em 2026, na previsão da colunista.
A segunda aposta é o “truque do aumento silencioso de arrecadação”, via trava de crédito, compensação e burocracia. Não se trata de um imposto novo, mas do governo mexendo em crédito tributário e compensação, mudando partes da lei que só empresas, contadores e advogados prestam atenção.
Com isso, o governo pode pegar o crédito que a empresa achava que tinha direito e encher de condições. Na hora de usá-lo, a empresa descobre que ele só vale para determinadas situações. Segundo a Duquesa, são “medidas discretas” e com “cara de coisa técnica”.
Duquesa de Tax - Estadão